quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Afinados...

                                                                   
Uma vez, em uma conversa entre amigos, alguém comentou que jamais conseguiria casar com quem ouvisse Celine Dion. Casar? Eu não conseguiria pegar uma carona com alguém que ouvisse Celine Dion, retruquei, exagerando. E foi nesse tom de brincadeira que continuamos falando sobre nossos eu nunca poderia me relacionar com alguém que....

Puro blábláblá, pois, na hora em que a paixão se apresenta, nossos gostos se adaptam rapidinho, e a gente se pega dançando forró quando queria mesmo era estar num show do Pearl Jam. Ainda assim, essa questão de ter afinidade musical não é absolutamente tola. Gostar de gêneros musicais diferentes não impede um relacionamento, mas, quando há compatibilidade, dois amantes evoluem e transformam-se em dois cúmplices.

Tudo porque a música não é uma forma de ocupar o silêncio, simplesmente. Ela provoca uma experiência física e sensorial. Ela vai buscar você onde você se esconde. E compartilhar isso com quem amamos é roçar no sublime.

Se aquilo que gosto de ouvir estimula as mesmas sensações em quem convive comigo, cria-se um diálogo sem palavras, à prova de mal-entendidos. A música invade e captura o que há de melhor em nós, nossa essência primeira, a que não foi corrompida por racionalizações. E essa sensibilidade refinada, ao ser despertada simultaneamente em um homem e em uma mulher (ou numa plateia inteira, no caso de um espetáculo) gera uma comunhão tão rara quanto mágica.

Muitos filmes já demonstraram como a música pode ser um fator de aproximação entre casais. Para citar dois que concorrem ao Oscar neste domingo, no belíssimo Amor, os protagonistas idosos não eram apaixonados apenas um pelo outro, mas igualmente por música erudita, o que reforçava o laço. Em O Lado Bom da Vida, duas vítimas de perturbações psíquicas encontram uma forma de serenizar sua ansiedade descontrolada através da dança, fazendo com que seus corpos obedeçam a um ritmo, e sua alma também. A música facilita que identifiquemos um “igual”, ou alguém razoavelmente parecido conosco. E ajuda a fazer esse encontro perdurar.

Não que tenha sido descoberta a fórmula do sucesso das relações – elas se desfazem, mesmo quando há gostos afins.

Mas, entre os momentos que ficarão na lembrança, estarão aqueles em que ambos sabiam com certeza o que o outro estava sentindo quando conectados pela música, uma música que, às vezes, nem estava sendo tocada, mas escutada por dentro, como na hora exata do parto do filho, em que se ouve internamente uma orquestra, ou na hora da decolagem de um voo, quando se ouve internamente uma ópera, ou durante o primeiro beijo, quando se ouve internamente... sinos? Humm, eu escolheria uma trilha sonora menos óbvia, mais inspiradora.

Coisa mais triste quando, ao recordar um amor, a gente tenta lembrar: qual era a nossa música? E não havia.

                                 (Martha Medeiros)

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

A Lenda do Alecrim...


                                                                       
Existe uma graciosa lenda a respeito do alecrim: Quando Maria fugiu para o Egito, levando no colo o menino Jesus, as flores do caminho iam se abrindo à medida que a sagrada família passava por elas.

O lilás ergueu seus galhos orgulhosos e emplumados, o lírio abriu seu cálice.
O alecrim, sem pétalas nem beleza, entristeceu lamentando não poder agradar o menino.
Cansada, Maria parou à beira do rio e, enquanto a criança dormia, lavou suas roupinhas.
Em seguida, olhou a seu redor, procurando um lugar para estendê-las. “O lírio quebrará sob o peso, e o lilás é alto demais”.
Colocou-as então sobre o alecrim e ele suspirou de alegria, agradeceu de coração a nova oportunidade e as sustentou ao sol durante toda a manhã.
“Obrigada, gentil alecrim” – disse Maria.
“Daqui por diante ostentarás flores azuis para recordarem o manto azul que estou usando. E não apenas flores te dou em agradecimento, mas todos os galhos que sustentaram as roupas do pequeno Jesus serão aromáticos.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Rubem Alves...

                                                             
Fui convidado a fazer uma preleção sobre saúde mental. Os que me convidaram supuseram que eu, na qualidade de psicanalista, deveria ser um especialista no assunto. E eu também pensei. Tanto que aceitei. Mas foi só parar para pensar para me arrepender. Percebi que nada sabia. Eu me explico.
Comecei o meu pensamento fazendo uma lista das pessoas que, do meu ponto de vista, tiveram uma vida mental rica e excitante, pessoas cujos livros e obras são alimento para a minha alma. Nietzsche, Fernando Pessoa, Van Gogh, Wittgenstein, Cecília Meireles, Maiakovski. E logo me assustei. Nietzsche ficou louco. Fernando Pessoa era dado à bebida. Van Gogh matou-se. Wittgenstein alegrou-se ao saber que iria morrer em breve: não suportava mais viver com tanta angústia. Cecília Meireles sofria de uma suave depressão crônica. Maiakoviski suicidou-se.
Essas eram pessoas lúcidas e profundas que continuarão a ser pão para os vivos muito depois de nós termos sido completamente esquecidos. Mas será que tinham saúde mental? Saúde mental, essa condição em que as idéias comportam-se bem, sempre iguais, previsíveis, sem surpresas, obedientes ao comando do dever, todas as coisas nos seus lugares, como soldados em ordem unida, jamais permitindo que o corpo falte ao trabalho, ou que faça algo inesperado; nem é preciso dar uma volta ao mundo num barco a vela, bastar fazer o que fez a Shirley Valentine (se ainda não viu, veja o filme) ou ter um amor proibido ou, mais perigoso que tudo isso, a coragem de pensar o que nunca pensou.
Pensar é uma coisa muito perigosa... Não, saúde mental elas não tinham. Eram lúcidas demais para isso. Elas sabiam que o mundo é controlado pelos loucos e idosos de gravata. Sendo donos do poder, os loucos passam a ser os protótipos da saúde mental. Claro que nenhum dos nomes que citei sobreviveria aos testes psicológicos a que teria de se submeter se fosse pedir emprego numa empresa. Por outro lado, nunca ouvi falar de político que tivesse estresse ou depressão. Andam sempre fortes em passarelas pelas ruas da cidade, distribuindo sorrisos e certezas.
Sinto que meus pensamentos podem parecer pensamentos de louco e por isso apresso-me aos devidos esclarecimentos. Nós somos muito parecidos com computadores. O funcionamento dos computadores, como todo mundo sabe, requer a interação de duas partes. Uma delas chama-se hardware, literalmente "equipamento duro", e a outra denomina-se software, "equipamento macio". O hardware é constituído por todas as coisas sólidas com que o aparelho é feito.
O software é constituído por entidades "espirituais" - símbolos que formam os programas e são gravados nos disquetes.
Nós também temos um hardware e um software. O hardware são os nervos do cérebro, os neurônios, tudo aquilo que compõe o sistema nervoso. O software é constituído por uma série de programas que ficam gravados na memória. Do mesmo jeito como nos computadores, o que fica na memória são símbolos, entidades levíssimas, dir-se-ia mesmo "espirituais", sendo que o programa mais importante é a linguagem.
Um computador pode enlouquecer por defeitos no hardware ou por defeitos no software. Nós também. Quando o nosso hardware fica louco há que se chamar psiquiatras e neurologistas, que virão com suas poções químicas e bisturis consertar o que se estragou. Quando o problema está no software, entretanto, poções e bisturis não funcionam. Não se conserta um programa com chave de fenda. Porque o software é feito de símbolos, somente símbolos podem entrar dentro dele.
Assim, para se lidar com o software há que se fazer uso dos símbolos. Por isso, quem trata das perturbações do software humano nunca se vale de recursos físicos para tal. Suas ferramentas são palavras, e eles podem ser poetas, humoristas, palhaços, escritores, gurus, amigos e até mesmo psicanalistas.
Acontece, entretanto, que esse computador que é o corpo humano tem uma peculiaridade que o diferencia dos outros: o seu hardware, o corpo, é sensível às coisas que o seu software produz. Pois não é isso que acontece conosco? Ouvimos uma música e choramos. Lemos os poemas eróticos de Drummond e o corpo fica excitado. Imagine um aparelho de som. Imagine que o toca-discos e os acessórios, o hardware, tenham a capacidade de ouvir a música que ele toca e se comover. Imagine mais, que a beleza é tão grande que o hardware não a comporta e se arrebenta de emoção! Pois foi isso que aconteceu com aquelas pessoas que citei no princípio: a música que saía de seu software era tão bonita que seu hardware não suportou.
Dados esses pressupostos teóricos, estamos agora em condições de oferecer uma receita que garantirá, àqueles que a seguirem à risca, saúde mental até o fim dos seus dias. Opte por um software modesto. Evite as coisas belas e comoventes. A beleza é perigosa para o hardware. Cuidado com a música. Brahms e Mahler são especialmente contra-indicados. Já o rock pode ser tomado à vontade.
Quanto às leituras, evite aquelas que fazem pensar. Há uma vasta literatura especializada em impedir o pensamento. Se há livros do doutor Lair Ribeiro, por que se arriscar a ler Saramago? Os jornais têm o mesmo efeito. Devem ser lidos diariamente. Como eles publicam diariamente sempre a mesma coisa com nomes e caras diferentes, fica garantido que o nosso software pensará sempre coisas iguais. E, aos domingos, não se esqueça do Silvio Santos e do Gugu Liberato.
Seguindo essa receita você terá uma vida tranqüila, embora banal. Mas como você cultivou a insensibilidade, você não perceberá o quão banal ela é. E, em vez de ter o fim que tiveram as pessoas que mencionei, você se aposentará para, então, realizar os seus sonhos. Infelizmente, entretanto, quando chegar tal momento, você já terá se esquecido de como eles eram
.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Amor aos animais...




Quem passa e olha pela rua
nada pode ver...
nada pode enxergar...
apenas o coração dos que amam, salta aos olhos,
a imagem de um cão, de um gato, de um ser,
que pede ajuda silenciosa...

Mas só será capaz de ver 
estes olhos tristes,
e de ouvir este lamento,
o coração de quem ama,
de quem ama mais do que a si mesmo,
esses seres maravilhosos chamados
ANIMAIS !



Historinha de Amor pra Gente Grande...





Contam os anjos que às vezes me inspiram que um pouquinho antes de materializar o seu plano de criação da vida humana e se derramar no coração de todas as coisas da Terra, o Senhor Deus Todo Poderoso resolveu repassá-lo, ponto a ponto, pela última vez. E, ao terminar o trabalho, sentiu, bastante surpreso, que ainda parecia estar faltando um detalhe sem nome nem rosto em sua grandiosa obra. Algo que não havia sido contemplado por nenhum dos incontáveis milagres com os quais dotaria o homem e o ambiente que preparava para acolhê-lo e supri-lo em sua jornada evolutiva.               
                                                                                               

Como um poeta que ao findar um poema é tocado pela vibração de uma palavra que não foi dita sem conseguir visualizar-lhe as feições, o Senhor Deus intuiu a ausência de uma dádiva no buquê de luzes que ofertaria ao homem para perfumar sua caminhada heróica, que trilharia até tornar-se um mestre das coisas que não passam e reunir-se a Ele numa só consciência criadora. 




O Senhor Deus não sabia que doçura era aquela que reclamava sua amorosa atenção, mas pressentia que se tratava de algo imprescindível. De alguma graça que deixaria uma lacuna em branco em cada história humana, caso não existisse. De mais um dos presentes que bordaria em cada vida com os fios da delicadeza que utilizaria em tudo o que planejava ser forte. Mas o que poderia ser, Ele se perguntava, além das outras tantas ternuras que já havia previsto bordar? 




E o Senhor Deus pensou, pensou, pensou. Relembrou cada detalhe, cada etapa, cada riqueza, pacientemente, com todo o zelo de seu coração criador. Reuniu-se com os mestres que o assessoravam no Plano. Trocou idéias. Ouviu, atento, as sugestões e observações que surgiram. Mas nada do que pensava e ouvia atendia à sua expectativa e se aproximava da resposta que buscava desde que aquela intuição lhe visitara. Que traço, afinal, poderia ainda criar para compor o conjunto das bençãos que desenharia na Terra? Que beleza era aquela que murmurava em seu ouvido sem revelar-lhe o rosto? 




Contam que, como era costumeiro, numa certa manhã o Senhor Deus Todo Poderoso estava distraído no jardim de sua casa, cuidando amorosamente de suas plantas, quando um anjo, muito belo, muito jovem, banhado de luz azul, aproximou-se Dele para transmitir-lhe uma mensagem de um de seus arcanjos, Miguel, o príncipe celeste que comandava seu exército de luz. E que foi no exato instante em que olhou para aquele anjo que o Senhor Deus descobriu o que ainda faltava em seu plano: anjos que o homem pudesse ver, exatamente como Ele podia ver aquele. 




O plano do Senhor Deus previa que seria escolhido para cada pessoa, a partir do momento alquímico de sua concepção, um anjo que iria acompanhá-la em toda a sua trajetória humana, até que devolvesse à Terra a roupa de carne que lhe havia sido emprestada. E, embora se tratasse de um leal companheiro, que iria fortalecê-la, protegê-la e inspirar-lhe, e lhe fosse possível falar com ele e ouvi-lo, em seu coração, o ser humano não poderia vê-lo, a não ser que em algum instante experimentasse um amor tão intenso que conseguisse penetrar na freqüência luminosa onde os anjos moram. 




Para o homem, pensava o Senhor Deus, por mais grandiosa que fosse, aquela dádiva não bastaria. Ele sabia que o ser humano teria dificuldade para lidar com as coisas que chamaria de invisíveis. Que se atrapalharia com tudo o que não pudesse ser tocado com algum dos cinco sentidos que, equivocadamente, acreditaria serem os únicos que possuía. 




O homem precisaria também de anjos que fossem visíveis. Feitos da mesma matéria que ele. Com os quais pudesse brincar com os brinquedos humanos. Crescer junto, aprendendo, ensinando, trocando. Que os olhassem nos olhos e o encorajassem ao próximo passo às vezes sem uma única palavra sequer. Com os quais pudesse compartilhar os sabores, os sons, as visões, as falas e as texturas das coisas da Terra e sonhar com as coisas do céu. Que estivessem ao seu lado nos dias de sol e também lhe estendessem a mão para atravessar com ele o tempo em que as noites se fariam tão escuras que ele começaria a duvidar do amanhecer. 




Sim, continuava a pensar o Senhor Deus, o homem precisaria de anjos visíveis que tivessem em sua vida a mesma bela tarefa do anjo que não podia ver. Anjos que permanecessem em seu caminho quando tudo parecesse ter ido embora. Que acreditassem nele até quando ele próprio se esquecesse quem era. Que quando o cansaço lhe visitasse e os apelos da sombra o convidassem a desistir, desembainhassem a própria espada para lembrar-lhe de que era também um guerreiro. Que emanassem para ele um bem-querer tão puro que fosse capaz de perfumar até o que ainda lhe doesse. Com os quais pudesse rir e chorar, e, sobretudo, ter a liberdade de ser. 




O homem precisaria, sim, de anjos visíveis com sangue nas veias. Que tivessem dor de barriga, mau humor, contas pra pagar, unha encravada, medo, dente de siso para extrair, angústia, raiva, baixo astral, e toda uma séria de chatices humanas que os anjos invisíveis respeitam, mas não experimentam. Com os quais pudesse jogar conversa fora. Torcer por um time. Cantar desafinado. Caminhar na praia. Trocar um abraço. Empanturrar-se de risada e bobó de camarão num domingo grande. Que espelhassem para ele sua porção humana e sua porção divina e lhes fizessem parceria no contínuo exercício de integrá-las durante a viagem. Que pudessem servir de canais para os toques, os puxões de orelha e os carinhos do seu próprio anjo guardião, que, sem fazer ruído algum, trabalharia em sintonia com eles o tempo todo. 




E depois de dividir com aquele anjo inspirador as feições de sua descoberta, contam que o Senhor Deus Todo Poderoso lhe perguntou o seu nome, pois seria com ele que, em gratidão, chamaria o anjo visível que cada pessoa encontraria na Terra. 




E o anjo que inspirou o Senhor Deus, maravilhado com sua bondade, revelou-lhe o seu nome:




- Amigo. 
                                 (Ana Jácomo)



segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Antiga Prece Celta...




Que o caminho venha ao teu encontro.

Que o vento sempre sopre às tuas costas
e a chuva caia suave sobre teus campos.

E até que voltemos a nos encontrar,
que Deus te sustente suavemente na palma de sua mão.

Que vivas todo o tempo que quiseres
e que sempre possas viver plenamente.

Lembra sempre de esquecer as coisas que te entristeceram,
porém nunca esqueças de lembrar aquelas que te alegraram.

Lembra sempre de esquecer os amigos que se revelaram falsos,
porém nunca esqueças de lembrar aqueles que permaneceram fiéis

Lembra sempre de esquecer os problemas que já passaram,
porém nunca esqueças de lembrar as bênçãos de cada dia.

Que o dia mais triste de teu futuro
não seja pior que o dia mais feliz de teu passado.

Que o teto nunca caia sobre ti
e que os amigos reunidos debaixo dele nunca partam.

Que sempre tenhas palavras cálidas em um anoitecer frio,
uma lua cheia em uma noite escura,
e que o caminho sempre se abra à tua porta

Que vivas cem anos, com um ano extra para arrepender-te.

Que o Senhor te guarde em sua mão, e não aperte muito seus dedos.

Que teus vizinhos te respeitem, os problemas te abandonem,
os anjos te protejam, e o céu te acolha.
E que a sorte das colinas Celtas te abrace.

Que as bênçãos de São Patrício te contemplem.

Que teus bolsos estejam pesados e teu coração leve.

Que a boa sorte te persiga, e a cada dia e
cada noite tenhas muros contra o vento,
um teto para a chuva, bebidas junto ao fogo,
risadas que consolem aqueles a quem amas,
e que teu coração se preencha com tudo o que desejas.

Que Deus esteja contigo e te abençoe,
que vejas os filhos de teus filhos,
que o infortúnio te seja breve e te deixe rico de bênçãos.

Que não conheças nada além da felicidade, deste dia em diante.


Que Deus te conceda muitos anos de vida;
com certeza Ele sabe que a terra não tem anjos suficientes…
...e assim seja a cada ano, para sempre!


 

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Como nos separar daqueles que amamos...


                                                                   



Quando aqueles que estão morrendo são nossos entes mais queridos, a dor da separação é intensa. 


Certa vez, escutei Sogyal Rinpoche dizer: Só aceitamos nos desapegar de alguém, quando sentimos ter recebido tudo que gostaríamos por meio desta pessoa. Ou seja, só nos desapegamos daquilo que estamos plenamente satisfeitos. 

É mais fácil nos separarmos daqueles que sentimos amar e por quem nos sentimos amados, pois, desta forma, preenchidos de amor em nosso interior, não vivenciamos a separação como uma perda de nossa capacidade de amar. Desapego, neste sentido, significa estarmos satisfeitos, nutridos de amor espiritual.

No entanto, em geral, temos dificuldade de entrar em contato com esta forma de satisfação, porque nos concentramos mais no que ainda gostaríamos de receber, do que no reconhecimento do prazer já recebido. Por isso, apesar da satisfação não surgir através da análise racional de um fato, mas, sim, da experiência genuína de um sentimento, muitas vezes temos que recorrer à análise mental para despertarmos a força curativa do sentimento em nossa psique.

Quando somos tocados por essa forma elevada de amor, desejamos que a pessoa amada seja realmente feliz: com ou sem a nossa presença. 

No entanto, em geral, nosso amor é mais emocional que espiritual: amamos na carência, isto é, nos alimentamos do sentimento de que amar é sentir necessidade do outro. É comum pensarmos que o outro irá reconhecer que nos ama somente se nos afastarmos e o fizermos sentir nossa falta, ou seja que só seremos valorizados na ausência. Ao contrário do que se pensa, porém: amar é não sentir falta! 

Quanto mais soubermos reconhecer nossa capacidade de amar, menos dependentes estaremos da presença física da pessoa amada. A prova que esta premissa é verdadeira está no fato de que continuamos a amar alguém mesmo após sua morte. 

A dinâmica do amor continua em nosso interior: continuamos a nos dedicar à pessoa amada mesmo depois que ela já se foi. Rezamos por ela, e muitas vezes passamos a nos dedicar a finalizar seus projetos e realizar seus desejos. 

Enquanto escrevi parte deste texto, acompanhei os quatro últimos dias de vida de Adriana, amiga de muitos amigos, uma psicanalista prática e serena ao mesmo tempo. A sua aceitação diante da terminalidade foi exemplar. Deixou-nos muitas vezes surpresos e ao mesmo tempo confiantes de que ela, apesar da forte dor física, estava com a mente preparada para falecer. O amor de todos por Adriana era evidente: cada um, a seu modo, demonstrou estar disposto a fazer o que fosse necessário para contribuir pra seu bem-estar. 

Nos dias que sucederam sua morte, Márcia, sua grande amiga com quem compartilhava o apartamento, me disse: A melhor experiência que tive depois da morte dela, foi quando arrumei o seu quarto, retirando todo o material do home care, fazendo a cama, colocando incenso, tocando os mantras no som.... ali eu tive pela primeira vez uma sensação de paz, por estar continuando a cuidar da Adriana. Cuidar da energia do quarto dela me deu o conforto necessário para poder acolher a sua morte. 

Assim como explica Robert Sardello em seu livro Liberte sua Alma do Medo (Ed. Fissus): No amor espiritual, o bem da outra pessoa vive dentro de cada pensamento que me vem, quer o pensamento tenha ou não a ver com ela. O termo espiritual para essa qualidade é intento, que carrega um significado muito mais sutil do que quando dizemos que temos a intenção de fazer algo. Intento carrega o sentido de que alguma coisa mantida no pensamento se tornou tão real como se estivesse literalmente presente – não presente à minha frente, mas em todos os lugares dentro de mim. No amor espiritual, aquilo que se torna tão absolutamente real é a qualidade espiritual da outra pessoa, sentida no intento de ser orientada unicamente para o bem da outra pessoa. Na vida diária, o aperfeiçoamento do amor espiritual se concentra nos pensamentos que temos em relação à outra pessoa. Esses pensamentos não são iguais àqueles que surgem da saudade de alguém, da lembrança de algo que fizeram juntos no passado ou de pensar sobre o que a pessoa possa estar fazendo no momento. No amor espiritual, não necessariamente pensamos na outra pessoa, ao contrário, a outra pessoa, como espírito, tornou-se completamente entrelaçada à minha existência de modo que, mesmo sem perceber, ela está comigo a cada momento, de uma maneira que acentua a minha própria liberdade individual em vez de impedi-la.

Texto extraído do livro Mania de Sofrer de Bel Cesar

Diogo Nogueira...


sábado, 16 de fevereiro de 2013

Nunca desista de amar...




O amor é eterno e maravilhoso em sua essência, capaz de realizar as mais importantes 
transformações em um ser humano.
Alguns vivem o amor em sua plenitude pelo simples fato de dispor dele em abundância. Aprenderam a amar, a se entregar ao ser amado e a estabelecer relacionamentos criativos. Outros sofrem com seu relacionamento amoroso. Depois de algumas decepções, tendem a se isolar e a adotar uma postura cética em relação ao amor. Preferem ficar em casa no sábado à noite, assistindo a um filme. Passam todos os fins de semana sozinhos. Nunca aceitam o convite de um colega para sair. No início, sentem-se aliviados, pois acham melhor evitar problemas do que sair em busca do amor. Mas, depois de algum tempo, a solidão começa a apertar o coração.

Nunca desista de amar. Assuma sempre o risco de demonstrar seu amor, mesmo que a outra pessoa não vá aceitá-lo, porque amar alguém não é um problema nem um defeito; é uma virtude. Se ela não aceitar o seu amor, o problema não é seu, pois, uma vez que você descobriu o jeito de amar, ficará faltando apenas encontrar um companheiro para a viagem a dois.

Se você está só, abra o seu coração, coloque um sorriso no rosto, retome o brilho nos olhos e acredite que a vida lhe prepara maravilhosas surpresas. Tenho a esperança de que com esta nossa conversa você tenha conseguido mais energia e inspiração para desfrutar melhor o Amor, uma realidade valiosa demais para ser banalizada.

E lembre-se: você é o autor da sua vida e é capaz de escrever uma história de amor muito linda, na qual receba e dê muito amor. Saiba sempre que amar pode dar certo, desde que você cuide do Amor com muito carinho e sabedoria.

O amor é eterno e maravilhoso em sua essência, capaz de realizar as mais importantes transformações em um ser humano, mas as pessoas atualmente se machucam muito porque não aprenderam a amar de uma forma plena.

O problema não está no amor. O ser humano não consegue ser feliz sozinho. Desistir de amar é deixar de lado uma parte fundamental da própria vida, e por isso mesmo é triste ver tantas pessoas tratarem o amor com desprezo, acharem as manifestações de romantismo algo feio e, principalmente, desistirem de viver um grande amor. Vale a pena amar, acreditar no amor, entregar-se ao amor. O amor satisfaz os nossos mais profundos desejos de compreender e ser compreendido, de valorizar e ser valorizado, de dar e receber.

Amar pode dar certo

O ser humano só pode existir em paz consigo mesmo se puder se relacionar com uma pessoa a quem diga, com palavras e gestos, "eu te amo" e de quem ouça com total sinceridade: "Eu também te amo".

Mas amar supõe evoluir todos os dias, conhecer o outro cada vez melhor, construir com ele um lugar no mundo em que as pessoas, ao entrar, sentirão que ali existe vida, carinho sincero, vontade de acertar.

Nos momentos de crise ou de mágoa, dizer "eu te amo" ao parceiro é ter a coragem de lhe dizer que ele fez algo de que você não gostou.

Nos momentos de alegria e êxtase, dizer "eu te amo" é saber compartilhar essa alegria com quem você ama, abrindo seu coração sem reservas.

Nos momentos de dor, dizer "eu te amo" é talvez não dizer nada, mas deixar evidente ao outro que você está ao seu lado aconteça o que acontecer.

Nos momentos em que você perceber que errou, a melhor maneira de dizer "eu te amo" é simplesmente dizer: "Desculpe pelo meu erro".

Nos momentos em que o outro errou, e está triste porque cometeu o erro, a melhor maneira de dizer "eu te amo" é se aproximar lentamente dele, colocar a mão em seu ombro e dizer suavemente: "Tudo bem, já ficou para trás".

Amar pode dar certo é a frase mais simples possível para traduzir a convicção de que nascemos para amar e ser amados, e que nossa felicidade consiste em realizar essa missão.



quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

La Vie en Rose...


Gratidão...

                                   

Agradeço pela vida, apesar da morte, que hoje sei é apenas uma transformação.
Agradeço pela alegria, apesar da tristeza, que tanto me fez chorar... e também pensar.
Agradeço pelo riso, apesar das lágrimas, mas sei que vieram para lavar minha alma.
Agradeço pela realidade, apesar das ilusões, que hoje sei só me mantinham presa na dor.
Agradeço pelas mentiras, que hoje sei me levaram a encontrar a verdade.
Agradeço por tantas conquistas, apesar dos erros, que agora sei foram para me fazer valorizar mais o caminho.
Agradeço pela harmonia, apesar das brigas, que me trouxeram sofrimento, mas também crescimento.
Agradeço pela saúde, apesar de tantas doenças que poderiam ter me acometido.
Agradeço pela minha profissão, apesar das dificuldades que passei, pois esse foi o caminho que devo ter escolhido para me resgatar, ao ajudar aos outros, e da qual recebi muito mais.
Agradeço pelo respeito que aprendi a ter pelas outras pessoas e por seus mais sagrados sentimentos, apesar de muitas vezes não ter sido respeitada.
Agradeço por ter perdoado a todos que me machucaram, e peço perdão a quem eu possa ter machucado.
Agradeço por tantos caminhos que percorri, me machuquei, mas consegui sair, com ajuda de algumas poucas pessoas, que agradeço eternamente, e exatamente por isso hoje estou no caminho da luz!
Agradeço a Mel, por ter ficado incondicionalmente ao meu lado durante esses 5 anos, me amando e acima de tudo me ensinando. E espero que fique muitos anos mais.
Agradeço pelos meus pais, apesar da distância, mas que me trouxeram à vida. E a Deus por ter me mantido no caminho do bem.
Agradeço pelos meus amados avôs, verdadeiramente meus pais, que apesar de não estarem mais presentes fisicamente, me deixaram a melhor herança: amor!
Agradeço à minha amada tia que entre tantas lições, mostrou-me 2 caminhos principais: o caminho de Deus e o respeito aos animais, apenas com seu exemplo de vida!
Agradeço também às pessoas que tanto me machucaram, pois elas me tornaram muito mais forte e me fizeram buscar outros caminhos.
Agradeço a tantas pessoas que esperei amor e carinho, e não recebi, mas aprendi que não se pode dar aquilo que não se tem. Mas também agradeço por cada pessoa que passou na minha vida, e outras que ainda estão presentes, e me doaram amor.
Como foi difícil aprender tudo isso!
Agora me encontro livre! Livre das ilusões, dores, lágrimas, mentiras, tristeza, erros, culpas, hoje enfim estou liberta!
E por tudo hoje eu só agradeço, por ter me tornado quem eu sou.
Eu, assim como você, somos seres de luz, que queremos nos tornar pessoas melhores, para quando formos embora, que consigamos ir apenas em paz! 
E por tudo isso hoje eu agradeço, e espero me tornar cada vez mais quem eu simplesmente sou: um ser de luz!

                                   (Rosemeire Zago)

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Poema de Amor Eterno...




Quando eu não existir,
Busque uma praia solitária
Estarei no vento que vem do mar 

Quando eu não mais existir
Ouve nas solidões de tuas noites
Melodia triste e profunda
Estarei na música

Quando eu não mais existir
Procure na casa do crepúsculo
Nas tardes vestidas em véus
Serei a brisa que te beija a boca

Estarei no perfume das flores
Que tuas mãos tocarem
Nas estrelas que teus olhos buscam
Serei o frio do luar que te afaga

Quando eu não mais existir
Irá sentir-me nas noites de felicidade
Serei o sorriso a ternura o teu pranto.

Deixarei nas lagrimas de teus olhos,
Artificiais lembranças da noite
Em que me entreguei a seu coração 
No gostoso fruto proibido 
Estarei nos beijos que te derem

Quando eu já não existir 
Existirá o meu amor ardente nas estrelas
Suspirando na serragem da madrugada

Quando eu não mais existir
Haverá um barco
Onde verás o semelhante sorriso
E a pequena boca dizer
Eu te amo
Quando eu já não existir
Procure-me dentro de si mesmo
Nas tuas lembranças
E então saberás que sempre fui
E sempre serei teu...



Milene Isabel

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Carnaval é Cultura...

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    Com o processo de globalização e com o avanço das novas tecnologias a identidade cultural dos povos vai sendo lentamente diluída.O que resta é a cultura popular, já que ela é basicamente, intrinsecamente local, fruto dos hábitos, dos costumes cultivados ao longo da vida do dia a dia, das influências de formação legadas pela construção histórica do país. O Brasil, como sabemos, tem sua identidade calcada de forma indelével na cultura popular, que foi o resultado da síntese das raízes ibéricas,indígena e africana. Este amalgama produziu, entre outras coisas, como um de seus pontos altos a música. Música que envolve, contagia corações e multidões, nos seus mais variados ritmos. Compositores da mais alta expressão nos legaram verdadeiros hinos do carnaval, marchas e sambas antológicos. Com criatividade e romantismo transformaram melodias em expressão popular de alegria e amor. O carnaval tem raízes psicológicas, sociais e culturais. Neste período o povo exprime suas emoções, incentiva fantasias e extravasa sentimentos de felicidade. Sonhos, alegria e emoção são revelados através da música. 

    No Brasil, o carnaval começou trazido pelos portugueses, na comemoração do entrudo (de introitus, “começo, entrada”), que festejava a entrada da primavera e abria as solenidades litúrgicas da Quaresma, período de abstinência de carne – palavra que designa o nome carnaval. O entrudo era uma festa de rua barulhenta, suja e, por vezes, violenta. A partir da segunda metade do século 19, o entrudo nas ruas passou a conviver com o carnaval à moda européia – bailes de máscaras em teatros e clubes. No entrudo, camadas mais pobres ou de classe média, ao lado dos negros, dançavam ao som de instrumentos de percussão e cantavam curtas quadrinhas de autores anônimos. Nos salões os bailes eram animados por bandas que tocavam os ritmos europeus da época, como xote, polca, valsa, etc. Aos poucos surgiram os clubes e sociedades – que congregavam os mais ricos e promoviam bailes e luxuosos desfiles de carros alegóricos – cordões que saíam às ruas e nos quais conviviam diferentes classes sociais e ranchos e blocos – que também ganhavam as ruas, compostos de classes mais populares.

    A primeira música feita exclusivamente para o carnaval é Ô Abre Alas, composta em 1899 por Chiquinha Gonzaga para o Cordão Rosa de Ouro. Um primeiro passo rumo à concepção atual dos desfiles de escolas de samba – marca internacional do carnaval brasileiro –, que incorpora o luxo dos carros alegóricos dos ricos à dança, ao ritmo e ao canto do carnaval dos pobres, foi dado por Sinhô, compositor do final do século 19. Entre os anos de 1910 e 1920, o samba foi aos poucos se definindo, junto com a marcha, como o ritmo preferencial do carnaval. Letras muitas vezes recheadas de sátiras políticas e sociais. 

    O samba transformou-se na tradução mais eloqüente do povo brasileiro. Música que envolve, contagia corações e multidões. Até o aparecimento do gênero musical produzido especialmente para o carnaval com o nome de samba – o famoso Pelo Telefone, registrado pelos freqüentadores da casa da Tia Ciata, Donga e Mauro de Almeida – o carnaval refletiu, de maneira mais transparente, as contradições expressas na confusão que resultava da forma indecisa pela qual as novas camadas sociais procuravam enquadrar-se na “festa do povo”. Às vésperas da 1ª. Guerra Mundial, as diferentes classes sociais brasileiras divertiam-se em diferentes carnavais – os pobres nas praças, os ricos nos corsos de automóveis e nos grandes clubes. 

    A festa ainda não tinha descoberto o ritmo capaz de lhe conferir um denominador comum musical. O grande achado musical do carnaval brasileiro foi o samba, que ao misturar ritmos que animavam as festas do proletariado, ganhou a classe média e também a elite. É lamentável que hoje as comemorações populares tradicionais são cada vez mais vistas como fonte de renda. As brincadeiras populares, os blocos de rua, os folguedos perderam espaço nas grandes cidades e deram lugar ao carnaval institucionalizado e até globalizado, vendido no mundo todo como fonte de renda para canais de televisão, revistas de massa e turismo. 

    Assim, a riqueza e a diversidade de nossas culturas são apagadas e apenas as formas mais rentáveis têm destaque. Nas pequenas e médias cidades o carnaval mais puro ainda resiste. Amanhã, na Av. Sete de Setembro, teremos a oportunidade de ver, através de nossas sete escolas de samba (Unidos da Operária, Pandeiro de Prata, Bom Sucesso, Bambas da Orgia, Chalaça, Academia de Samba COHAB 1 e União da Vila) a expressão de uma das mais autênticas manifestações de nossa gente. Bom carnaval a todos! 


       (José Ernani de Almeida)

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Pense repetidamente e materialize o que deseja....

                               


Pensamentos geram sentimentos, que geram palavras e, consequentemente, atitudes. 

Embora você não seja somente os seus pensamentos, eles têm uma influência sobre sua vida muito maior do que você possa imaginar. Você pode mudar o seu dia mudando a qualidade de seus pensamentos.



Quanto aos pensamentos negativos, não dá para eliminá-los completamente, mas você poderá diminuir o impacto devastador que eles trazem à sua vida. Para tanto, é necessário que você cultive os positivos e elevados. Enquanto presta atenção no que está pensando, já tem maior autocontrole sobre a energia mental e, consequentemente, sobre o seu dia.

Imagine-se com um rádio que, toda manhã, ao acordar, você liga e escolhe em que estação você quer se sintonizar. Pode escolher captar as mesmas ondas daqueles que estão depressivos, tristes e pessimistas, como você pode escolher captar as mesmas ondas das pessoas bem-sucedidas, felizes e realizadas.

Pois é exatamente assim que acontece: todos nós, moradores do planeta Terra, estamos constantemente emitindo e captando as energias que ficam no ar, que movimentam o universo.

Desta forma, é nossa responsabilidade contribuir para a emissão da maior quantidade possível de energias e fluidos positivos. Assim como também devemos estar preparados para nos sintonizar, todos os dias, com as captações positivas.

Baseado nessas verdades, você pode harmonizar o seu dia iniciando-o com uma mentalização positiva. Antes de começar as suas tarefas diárias, sejam elas em casa ou na rua, no escritório ou no seu local de trabalho, construa uma imagem desse dia com acontecimentos agradáveis, com situações satisfatórias e sensações de realização.

Mentalize tudo o que você gostaria que lhe acontecesse de bom. Imagine-se encontrando as pessoas e cumprimentando-as com alegria. Imagine-se sendo bem recebido por todos onde passar e que as conversas fluem harmoniosamente. Imagine-se resolvendo as pendências sem nenhum obstáculo, obtendo o melhor de cada um que cruzar o seu caminho e levando de si também o melhor para cada um que precisar de você hoje.

Neste dia, você consegue o que precisa das pessoas e também colabora com elas. Sua comunicação é clara e o Universo conspira a seu favor. E lembre-se: essa mentalização é criada em função de seus benefícios, mas nunca com a intenção de desfavorecer ou prejudicar alguém. A mentalização é positiva, visando o bem de todos e, especialmente, a harmonização do seu dia.

O poder da mentalização positiva pode ser tão grande que, a partir do momento em que você começar a praticar essa visualização, muitas das situações mentalizadas poderão começar a se realizar mais rapidamente.

Talvez, no início, você esteja mais atento aos resultados; com o tempo, as conseqüências desse exercício serão dias mais construtivos e mais satisfatórios e acontecerão tão naturalmente que, talvez, você nem esteja consciente de que contribuiu muito com suas mentalizações.

O que ficará em você é a sensação de que a sua vida está cada vez mais de acordo com aquilo que você deseja. O grande segredo é lembrar que os dias são ciclos preciosos de nossa existência. Cada um deles que vivemos em harmonia é mais um passo em direção a uma vida integrada e feliz.  




              (Rosana Braga)



(Adaptado do livro 10 passos para um Dia Feliz) 





quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Alice...





Aonde fica a saída?", Perguntou Alice ao gato que ria. 
”Depende”, respondeu o gato. 
”De quê?”, replicou Alice; 
”Depende de para onde você quer ir...”

(Alice no País das Maravilhas)



terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

O Gelado sabor do verão.... O Sorvete!





O sorvete foi trazido para o Brasil em 1834.
 O produto base para a sua fabricação (gelo) veio nos porões da embarcação Madagascar diretamente de Boston.
 As 200 toneladas de barras ficaram armazenadas num galpão na cidade do Rio de Janeiro sendo conservadas com muita serragem.
                Num primeiro momento apenas às quartas-feiras a produção era feita. Assim,longas filas se formavam para consumir a delícia refrescante.
 Até mesmo as mulheres, que eram proibidas de freqüentarem cafés, bares e confeitarias naquela época, quebravam as regras para disputarem a compra da novidade.
                Daquele momento em diante, a deliciosa novidade conquistou a preferência dos brasileiros e mais do que saborear o gélido frescor, passou a ser a solução para amenizar o calor e hidratar o corpo. Seja sorvendo o sumo das mais variadas frutas envolto no palito de picolé ou na cremosidade dos sorvetes que repousam acomodadas em casquinhas e cascões.
               O consumo deste alimento aumenta a cada ano no Brasil. Porém, não somente nos meses de calor mais intenso e nem nas regiões banhadas pelo mar, o hábito de tomar sorvete não está ligado ao lugar tampouco depende do clima ou da estação.
 Vale dizer que a origem da guloseima remota desde a Roma antiga e conta que o Imperador Nero mandou trazer gelo e neve das montanhas e misturá-los com frutas.
               Outros atribuem a criação do sorvete  ao Imperador chinês King Tang, descobridor da combinação de mistura de leite com água do rio.
 Fato é que, sabidamente, a maior variedade de sabores desta inconfundível e deliciosa iguaria é das terra tupiniquins.
 Muito embora nós aceitemos que, de uma maneira ou de outra, tenha sido idealizado por uma mente imperial.

                                                     (Taís Rizzotto)
      

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Dom Luís...



Uma bola de pelos, pulgas, alguns ferimentos, uma perna fraturada, um corte na orelha.
 Um olhar de carências.
 E foi este olhar que me conquistou. Acolherei-o de pronto. Tratei de seus ferimentos, tosei-lhe o pelo, enfaixei-lhe a perna. Dei-lhe comida e carinho
. Ele retribuiu: à medida que se restabelecia mais se grudava em mim. Para onde eu me dirigisse, ele me seguia. Os olhos de carências foram substituídos por olhos de carinhos
. Este é o Dom Luís.
 Dei-lhe este nome por seu porte e sua fidalguia. Dizem por aí que é um golden retriever, seja lá o que isto for. Porte avantajado, pelo de mel, lanudo, brincalhão que dá gosto.
 Gosta de água como poucos.
 Quando vamos ao riacho curar a lerdeza do dia é o primeiro a entrar na água. E o último a sair. Pula em cima de mim, me lambe, o rabo é um espanador de tanta alegria.
 Um companheiraço
. É de vê-lo correndo atrás das galinhas, não para pegá-las, mas para se divertir com os cocoricós espavoridos. É de vê-lo com a lebre! Ela o provoca se aproximando ao máximo. Ele lhe dá corda aguardando-a deitado, os olhos brilhantes, língua de fora. Num repente soltam a correr.
 Em algumas vezes, Dom Luís imobiliza a lebre com seu corpo. Aí, a fareja, lambe, depois a larga, que foge estabanada.
 Para voltar no dia seguinte a provocá-lo.
 Já aconteceu da lebre trazer-lhe uma cenoura de presente e ele presenteá-la com um pouco de ração. É de se ver o silêncio e a atenção em que ele se põe quando me vê imerso folheando um livro ou matutando minhas tristessências
. Há dias em que saímos catando as pitangas que a vida oferece. Há noites em que, se estamos na rede, cuidamos os vaga-lumes em suas danças de mistérios.
 Ele me defende se me atacam.
 Ele me consola se eu choro.
 Ele me recolhe se esqueço de mim e me perco.
 Quando pequeno dormia próximo ao fogão de lenha. Cresceu um tanto e se arranchou à porta do quarto. Hoje dorme no quarto, num pelego aos pés da cama. E adivinho, breve estará sobre a cama. O que não me desagrada.
 A um amigo de toda a vida, companheiro de estrada, não se nega pouso.

                                         (Sérgio Napp)

domingo, 3 de fevereiro de 2013

II Silenzio...



Em fins de novembro de 1963 meu irmão caçula que tinha menos de dois anos internou no Hospital São Vicente de Paulo em Cruz Alta com quadro de desidratação grave. Iria morrer por certo e o único médico que minha mãe não desejava era o que o atendeu, Dr Jacob Blochtein pediatra e anestesista. Pela primeira vez vislumbrei a possibilidade de morte, eu que tinha seis anos e também, pela primeira vez, vi puncionarem uma veia jugular para a descida do soro. Chorei ao pé da cama, clamando para o quase impossível. Tocava em todas as rádios a música Il silenzio de Nino Rosso porque John Kennedy fora assassinado em Dallas. Aquilo tudo me parecia o fim dos tempos.

Na mesma época, nos Estados Unidos, o Dr William Haddon Jr estudava a fundo as razões e o enfrentamento correto ao trauma. Dr. Haddon não acreditava na vala comum chamada “fatalidade”. Ele acreditava que os sinistros poderiam ter nova concepção de atendimento, principalmente em relação à prevenção dos mesmos. Então, ele ofereceu à sociedade médica que os “acidentes” tinham razões pré-evento, razões no evento e no pós-evento e que a cada uma dessas situações haveria de ter abordagem diferente, mas interligada às demais. Então, o doutor propôs que se deveriam melhorar as estradas, dotar os veículos de maior segurança, cursos de direção defensiva, descanso periódico, não ingesta de bebida de álcool, cintos de segurança, controle de velocidade, uso de capacetes aos ciclistas e motociclistas, resgate eficiente, equipamentos e hospitais adequados. Verificou-se mais tarde que essas medidas tinham o poder de diminuir em até 35% as possibilidades de óbitos. Esses estudos foram estendidos a outras espécies de emergências.

Com a “fatalidade”, na querida e acolhedora Santa Maria, buscaremos alguns culpados e os processaremos. Alguns até já estão presos, afinal a sociedade precisa identificar os culpados. Mas, são muitos os culpados e nem mesmo a prisão de alguns ou muitos será capaz de abrandar a dor e o luto a que todos estamos submetidos. Dr Haddon que faleceu aos 58 anos em 1985 entendia que o sucesso da empreitada contra as mortes por trauma dependia da observação de quatro Ex: educação a todos, como forma de prevenção; execução e observação rigorosa das leis de proteção universal; engenharia aplicada de forma defensiva a qualquer ambiente e economia como forma de aplicação maciça de recursos a minimizar o número de óbitos. Ao que eu saiba, dr Haddon nunca brincou carnaval. Aqui no Brasil nós brincamos. Investimos grana pesada no divertimento que é “a cara do brasileiro”. Pulamos travestidos daquilo que gostaríamos de ser ou somos de verdade: palhaços, transexuais, políticos, super-heróis. Dr Haddon entendia que a preservação da vida vinha em primeiro lugar e depois, seguros, viria a diversão. Se tivéssemos acompanhado o raciocínio do médico americano em prevenir eventos de trauma não estaríamos vestidos de preto por luto histórico que envergonha a sociedade. Aqui no Brasil somos surpreendidos a cada tragédia, mas logo vem o carnaval e caímos no samba. E igual a 1963 o tema musical das autoridades para essa temporada deverá ser Il silenzio, de Nino Rosso.

PS. Dr Jacob Blochtein, natural de quatro irmãos e por quem minha mãe tinha uma antipatia fortuita, foi um grande médico não somente em Cruz Alta, como também em Passo Fundo, tendo sido um dos professores de nossa faculdade. Atualmente mora em Curitiba e é escritor. Meu irmão está com cinqüenta anos e deve sua vida a este extraordinário colega.


(Jorge Anunciação)

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Eles eram filhos...


Desta vez, me pegou. Já vi coisa feia nessa profissão. Já fui repórter de polícia, já fui repórter de todas as editorias, testemunhei acidentes com mutilações graves e tumultos sangrentos, violências e exumações, revolta e dor. Vi a miséria humana. Mas, agora, essa tragédia de Santa Maria me abalou. Não por causa das cenas horrendas dos corpos no chão do ginásio, naquele momento em que caminhei pelas sombras do vale da morte. Não. Isso foi chocante, claro que sim, mas não foi o que me ficou no peito. O que me matou por dentro é que ali todos eram filhos.

Filhos.

Uma pessoa, quando ganha um filho, deixa um pouco de ser, ela mesma, filha. Sua condição muda. Agora ela não é mais apenas receptora, é também doadora de amor.

A realização do ser humano é tornar-se doador de amor, mais do que receptor. Claro, essa realização não se dá apenas com a paternidade e a maternidade. Padrinhos e madrinhas, tios e tias e até amores românticos podem suprir essa necessidade de amar.


Mas o objeto de amor, o filho, enquanto ele vive só na condição de filho, é como se ele estivesse no começo, como se estivesse na fase de estreias da existência. Há muito ainda pela frente e, por ele não saber o que há pela frente, há quem o vele e guarde - são os seus pais.

Um filho que já teve filho lega a seus próprios pais outro ser para guardar e velar: o neto. Quer dizer: o amor que os pais tinham por aquele filho, de certa forma, é um amor já realizado, como o de amantes que se casaram. O amor continua, mas, por ser realizado, é um amor aplacado da gana e da fúria, é um amor sem ansiedade, um amor de primavera, não de verão.

Já um filho que ainda não teve filho é objeto de um amor pulsante, um amor aflito, que acorda de madrugada para contar a ausência do ser amado no relógio.

Os jovens que estavam deitados sem vida no ginásio de Santa Maria encontravam-se nessa condição. Eles eram filhos. Raríssimos deviam ser pais. Talvez nenhum o fosse. Não por acaso, o celular de um deles tocava sem parar, 10, 20, 30 vezes. Os voluntários olhavam para o celular, depositado sobre o peito do jovem morto e liam no painel quem chamava: "Mãe".

Foi isso que me pegou: pensar nas mães e nos pais daqueles meninos e meninas. Porque todos acham que os filhos são dependentes dos cuidados dos pais, quando é o contrário: os pais é que são dependentes do bem-estar dos filhos. Pois, afinal, o amor que se dá é muito mais valioso do que o amor que se recebe. Pois, afinal, amar acaba sendo mais importante do que ser amado


  (David Coimbra)