segunda-feira, 9 de julho de 2012

Regresso...




Sem mais nem menos
surgiu o passado,
corpo intranquilo
feito de sons semelhantes
aos rostos que amei,
universo donde me excluí,
mar desprovido de cais
na obliquidade dos contrastes.

Esta noite voltei à minha infância:
menina rosada de sonhos nos bolsos,
bailarina de corda na caixinha de som.

À infância regressa-se solitariamente,
subindo um rio sem margens,
até ao lugar em que a nascente
se confunde com o tempo
e o tempo se transforma em espanto.

Procuro, teimosamente,
o rasto da brisa
que me invade o corpo
e apenas sei que o sonho
é um risco inquietante,
quando a solidão tem rosto
e se conhece a posição das estrelas
no âmago das palavras.

Reinicio a infância
no esboço do poema
e circunscrevo o litoral
fragmentado do que sou.

Quem foi que descodificou
o céu no meu olhar
e me deixou na alma
um deus imaginado?

Quando o espaço do sonho é circular
como o tempo das cerejas,
ou da migração dos pássaros
que fendem o infinito,
inadiado é o rito da poesia.

Se eu fosse uma gaivota, dançaria
na proa dos veleiros
até à hipnose
de abraçar a maresia.

                                          (Graça Pires)

domingo, 8 de julho de 2012

Feliz Aniversário


 
Existe somente uma idade para a gente ser feliz.


Somente uma época na vida de cada pessoa
em que é possível sonhar e fazer planos e ter energia
bastante para realizá-los,
a despeito de todas as dificuldade
e obstáculos.

Uma só idade para a gente se encantar com a vida
e viver apaixonadamente
e desfrutar tudo com toda intensidade
sem medo nem culpa de sentir prazer.

Fase dourada em que a gente pode criar
e recriar a vida à nossa própria imagem
e semelhança e vestir-se com todas as cores
e experimentar todos os sabores.

Tempo de entusiasmo e coragem em
que todo desafio é mais um convite à luta
que a gente enfrenta com toda disposição
de tentar algo novo, de novo e de novo,
e quantas vezes for preciso.

Essa idade tão fugaz na vida da gente
chama-se PRESENTE, também conhecida
como AGORA ou JÁ
e tem a duração do instante que passa...

(Mário Quintana)
                                        

sábado, 7 de julho de 2012

Marrocos... A Terra do Sol Poente

                        

                                                       Linda...


                                                        

Desapego...





Caminho para  a Transformação

O maior exemplo de desapego vem das abelhas. Após construírem a colméia, abandonam-na. E não a deixam morta, em ruínas, mas viva e repleta de alimento. Todo mel que fabricaram além do que necessitavam é deixado sem preocupação com o destino que terá. Batem asas para a próxima morada sem olhar para trás.


Na VIDA DAS ABELHAS temos uma grande lição. Em geral O homem constrói para si, pensa no valor da Propriedade, tem ambição de conseguir mais bens, sofre e briga quando na iminência de perder o que "lutou" para adquirir.


"Onde estiver nosso coração, ali estarão nossos tesouros..." Assim, não pode haver paz uma vez que pensamentos e sentimentos formem uma tela prendendo o ser ao que ele julga sua propriedade. Essa teia não o deixa alçar vôo para novas moradas. E tal impedimento ocorre em vida ou mesmo após a morte, quando um simples pensamento como "Para quem vai ficar a minha casa?" é capaz de retê-lo em uma etapa que já podia estar superada. Ele fica aprisionado a um plano denso, perde oportunidades de experiências superiores.

Para o homem, tirar a vida de animais e usá-los como alimento é normal. Derrubar árvores para fazer conservas de seu miolo, também. Costuma comprar o que está pronto e adquirir mais do que necessita. Mas as abelhas fabricam o próprio alimento sem nada destruir e, ainda, doam a maior parte dele.


A lição das abelhas vem do seu espírito de doação. Num ato incomum de desapego, abandonam tudo o que levaram a vida para construir. Simplesmente o soltam, sem preocupação se vai para um ou para outro. Deixam o melhor que têm, seja para quem for - o que é muito diferente de doar o que não tem valor ou de dirigir a doação para alguém da nossa preferência.


Se queremos ser livres, se queremos parar de sofrer pelo que temos e pelo que não temos, devemos abrigar em nós um único desejo: o de nos transformar. O exercício é ter sempre em mente que nada nem ninguém nos pertence, que não viemos ao mundo para possuir coisas ou pessoas, e que devemos soltá-las. Assim, quando alguém ou algo tem de sair de nossa vida, não alimentamos a ilusão da perda. Adquirimos visão mais ampla.

O sofrimento vem quando nos fixamos a algo ou a alguém. O apego embaça o que deveria estar claro: por trás de uma pretensa perda está o ensinamento de que algo melhor para nosso crescimento precisa entrar. E se não abrimos mão do velho, como pode haver espaço para o novo?
Fonte: Boletim de SINAIS - nº 6 - Figueira


                                                                                         (Nice Ribeiro)

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Lembrança...



Momentos Inesquecíveis
Que nunca acabarão
Pois serão eternamente
lembrados
Muitas gargalhadas...
Muitos abraços...
Momentos que nem o tempo pode apagar
E que estão gravados para sempre em meu  coração!






Saudades, que saudades...


Saudades, que saudades.                                             

Dos tempos que não voltam mais
Saudades do roçado, do carpido (capinado)
Saudades da infância no interior
Daquele tempo em que se dava bênção aos pais, avós, tios, madrinhas... Na verdade, pedia-se as bênçãos destes queridos, e ouvia-se a doce voz, às vezes até emocionada, principalmente da mamãe: “ Deus te abençoooe meu filho.” E como as palavras têm
poder, éramos abençoados, mesmo!
Saudades daquele tempo em que se respeitava aos pais, e assim, aprendíamos a respeitar aos outros. Daquele tempo em que tínhamos que tratar nossos pais, avós, tios... de senhor e senhora, e não de você. Caso contrário, éramos bem corrigidos.
Saudades de quando com apenas uma olhada do pai ou da mãe, já entendíamos o que viria depois que a visita fosse embora.
Saudades do tempo em que a Psicologia em casa tinha outro nome, conforme a região. Era couro, rabo de tatu, vara de marmelo, chibata... E assim nos tornávamos pessoas de bens, trabalhadores, justos, responsáveis e respeitadores.

Saudade, que saudades.

Saudades da professorinha, que tínhamos que chamá-la de professora, ou simplesmente Dona Fulana... Maria, Edite, Olga... e nunca de tia.
Saudades de quando aprendíamos em casa, que tínhamos que respeitar nossos professores, pois eles eram o nosso segundo pai e segunda mãe.
Saudades quando aprendíamos as primeiras letras do ABC. Eram: a, e, i, o, u. Em seguida, tínhamos que aprender primeiro todo o ABC; só então, íamos para o “b a, bá. B é, bé. B i, bi...
Saudades dos bons tempos em que na escola cantávamos o Hino Nacional, Hino à Bandeira, Hino da Independência...
Saudades daquelas chamada Hora Cívica, em que aprendíamos os princípios de cidadania.
Saudades de quando na sala de aula chegava alguém visitante, ficávamos em pé.
Saudades de quando na escola marchávamos como soldados, com nosso uniforme, um guarda-pó branco e um sapato chamado colegial. Quando ouvíamos a voz de comando da professora que dizia: “sentido. Um, dois. Todos... marchando. Um, dois. Um, dois. Um,...” e depois brincávamos (longe dela, é claro) de: um, dois, feijão com arroz. Três, quatro, feijão no prato... e assim por diante.

Saudades, que saudades.

Saudades da velha Constituição Federal (anterior a de 1988), em que o menor podia trabalhar livremente, sem prejudicar os estudos e a infância. Não sobrava tempo para aprender coisas erradas. Quase não existia usuário de drogas.
Saudades do tempo de criança e adolescente, em que trabalhávamos, estudávamos e brincávamos, sem essa de prejudicar a infância. E assim, nos tornávamos homens e mulheres trabalhadores e exemplos a ser seguido.

Saudades, que saudades.

Saudades daquele tempo em que a criminalidade no Brasil era bem baixo, ou quase zero.
Saudades de quando existia os verdadeiros Direitos Humanos para pessoas de bens, e não para bandidos frios e calculistas, assassinos, sequestradores...
Saudades de quando se ouvia falar de assalto à mão armada, parecia coisas de outro mundo. Ficava todo mundo assustado, porque não era corriqueiro, como hoje.

Saudades, que saudades...

(Christiano Nunes)

PS. Alguns versos foram inspirados no poema Pátria Amada Brasil, de Jairo Valio.



quinta-feira, 5 de julho de 2012

Recomeçar...

  

Carlos Drummond de Andrade

Poeta Homenageado na Festa Literária Internacional de Paraty -  FLIP 2012.