quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Poema de Amor Eterno...




Quando eu não existir,
Busque uma praia solitária
Estarei no vento que vem do mar 

Quando eu não mais existir
Ouve nas solidões de tuas noites
Melodia triste e profunda
Estarei na música

Quando eu não mais existir
Procure na casa do crepúsculo
Nas tardes vestidas em véus
Serei a brisa que te beija a boca

Estarei no perfume das flores
Que tuas mãos tocarem
Nas estrelas que teus olhos buscam
Serei o frio do luar que te afaga

Quando eu não mais existir
Irá sentir-me nas noites de felicidade
Serei o sorriso a ternura o teu pranto.

Deixarei nas lagrimas de teus olhos,
Artificiais lembranças da noite
Em que me entreguei a seu coração 
No gostoso fruto proibido 
Estarei nos beijos que te derem

Quando eu já não existir 
Existirá o meu amor ardente nas estrelas
Suspirando na serragem da madrugada

Quando eu não mais existir
Haverá um barco
Onde verás o semelhante sorriso
E a pequena boca dizer
Eu te amo
Quando eu já não existir
Procure-me dentro de si mesmo
Nas tuas lembranças
E então saberás que sempre fui
E sempre serei teu...



Milene Isabel

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Carnaval é Cultura...

  •                                                              

    Com o processo de globalização e com o avanço das novas tecnologias a identidade cultural dos povos vai sendo lentamente diluída.O que resta é a cultura popular, já que ela é basicamente, intrinsecamente local, fruto dos hábitos, dos costumes cultivados ao longo da vida do dia a dia, das influências de formação legadas pela construção histórica do país. O Brasil, como sabemos, tem sua identidade calcada de forma indelével na cultura popular, que foi o resultado da síntese das raízes ibéricas,indígena e africana. Este amalgama produziu, entre outras coisas, como um de seus pontos altos a música. Música que envolve, contagia corações e multidões, nos seus mais variados ritmos. Compositores da mais alta expressão nos legaram verdadeiros hinos do carnaval, marchas e sambas antológicos. Com criatividade e romantismo transformaram melodias em expressão popular de alegria e amor. O carnaval tem raízes psicológicas, sociais e culturais. Neste período o povo exprime suas emoções, incentiva fantasias e extravasa sentimentos de felicidade. Sonhos, alegria e emoção são revelados através da música. 

    No Brasil, o carnaval começou trazido pelos portugueses, na comemoração do entrudo (de introitus, “começo, entrada”), que festejava a entrada da primavera e abria as solenidades litúrgicas da Quaresma, período de abstinência de carne – palavra que designa o nome carnaval. O entrudo era uma festa de rua barulhenta, suja e, por vezes, violenta. A partir da segunda metade do século 19, o entrudo nas ruas passou a conviver com o carnaval à moda européia – bailes de máscaras em teatros e clubes. No entrudo, camadas mais pobres ou de classe média, ao lado dos negros, dançavam ao som de instrumentos de percussão e cantavam curtas quadrinhas de autores anônimos. Nos salões os bailes eram animados por bandas que tocavam os ritmos europeus da época, como xote, polca, valsa, etc. Aos poucos surgiram os clubes e sociedades – que congregavam os mais ricos e promoviam bailes e luxuosos desfiles de carros alegóricos – cordões que saíam às ruas e nos quais conviviam diferentes classes sociais e ranchos e blocos – que também ganhavam as ruas, compostos de classes mais populares.

    A primeira música feita exclusivamente para o carnaval é Ô Abre Alas, composta em 1899 por Chiquinha Gonzaga para o Cordão Rosa de Ouro. Um primeiro passo rumo à concepção atual dos desfiles de escolas de samba – marca internacional do carnaval brasileiro –, que incorpora o luxo dos carros alegóricos dos ricos à dança, ao ritmo e ao canto do carnaval dos pobres, foi dado por Sinhô, compositor do final do século 19. Entre os anos de 1910 e 1920, o samba foi aos poucos se definindo, junto com a marcha, como o ritmo preferencial do carnaval. Letras muitas vezes recheadas de sátiras políticas e sociais. 

    O samba transformou-se na tradução mais eloqüente do povo brasileiro. Música que envolve, contagia corações e multidões. Até o aparecimento do gênero musical produzido especialmente para o carnaval com o nome de samba – o famoso Pelo Telefone, registrado pelos freqüentadores da casa da Tia Ciata, Donga e Mauro de Almeida – o carnaval refletiu, de maneira mais transparente, as contradições expressas na confusão que resultava da forma indecisa pela qual as novas camadas sociais procuravam enquadrar-se na “festa do povo”. Às vésperas da 1ª. Guerra Mundial, as diferentes classes sociais brasileiras divertiam-se em diferentes carnavais – os pobres nas praças, os ricos nos corsos de automóveis e nos grandes clubes. 

    A festa ainda não tinha descoberto o ritmo capaz de lhe conferir um denominador comum musical. O grande achado musical do carnaval brasileiro foi o samba, que ao misturar ritmos que animavam as festas do proletariado, ganhou a classe média e também a elite. É lamentável que hoje as comemorações populares tradicionais são cada vez mais vistas como fonte de renda. As brincadeiras populares, os blocos de rua, os folguedos perderam espaço nas grandes cidades e deram lugar ao carnaval institucionalizado e até globalizado, vendido no mundo todo como fonte de renda para canais de televisão, revistas de massa e turismo. 

    Assim, a riqueza e a diversidade de nossas culturas são apagadas e apenas as formas mais rentáveis têm destaque. Nas pequenas e médias cidades o carnaval mais puro ainda resiste. Amanhã, na Av. Sete de Setembro, teremos a oportunidade de ver, através de nossas sete escolas de samba (Unidos da Operária, Pandeiro de Prata, Bom Sucesso, Bambas da Orgia, Chalaça, Academia de Samba COHAB 1 e União da Vila) a expressão de uma das mais autênticas manifestações de nossa gente. Bom carnaval a todos! 


       (José Ernani de Almeida)

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Pense repetidamente e materialize o que deseja....

                               


Pensamentos geram sentimentos, que geram palavras e, consequentemente, atitudes. 

Embora você não seja somente os seus pensamentos, eles têm uma influência sobre sua vida muito maior do que você possa imaginar. Você pode mudar o seu dia mudando a qualidade de seus pensamentos.



Quanto aos pensamentos negativos, não dá para eliminá-los completamente, mas você poderá diminuir o impacto devastador que eles trazem à sua vida. Para tanto, é necessário que você cultive os positivos e elevados. Enquanto presta atenção no que está pensando, já tem maior autocontrole sobre a energia mental e, consequentemente, sobre o seu dia.

Imagine-se com um rádio que, toda manhã, ao acordar, você liga e escolhe em que estação você quer se sintonizar. Pode escolher captar as mesmas ondas daqueles que estão depressivos, tristes e pessimistas, como você pode escolher captar as mesmas ondas das pessoas bem-sucedidas, felizes e realizadas.

Pois é exatamente assim que acontece: todos nós, moradores do planeta Terra, estamos constantemente emitindo e captando as energias que ficam no ar, que movimentam o universo.

Desta forma, é nossa responsabilidade contribuir para a emissão da maior quantidade possível de energias e fluidos positivos. Assim como também devemos estar preparados para nos sintonizar, todos os dias, com as captações positivas.

Baseado nessas verdades, você pode harmonizar o seu dia iniciando-o com uma mentalização positiva. Antes de começar as suas tarefas diárias, sejam elas em casa ou na rua, no escritório ou no seu local de trabalho, construa uma imagem desse dia com acontecimentos agradáveis, com situações satisfatórias e sensações de realização.

Mentalize tudo o que você gostaria que lhe acontecesse de bom. Imagine-se encontrando as pessoas e cumprimentando-as com alegria. Imagine-se sendo bem recebido por todos onde passar e que as conversas fluem harmoniosamente. Imagine-se resolvendo as pendências sem nenhum obstáculo, obtendo o melhor de cada um que cruzar o seu caminho e levando de si também o melhor para cada um que precisar de você hoje.

Neste dia, você consegue o que precisa das pessoas e também colabora com elas. Sua comunicação é clara e o Universo conspira a seu favor. E lembre-se: essa mentalização é criada em função de seus benefícios, mas nunca com a intenção de desfavorecer ou prejudicar alguém. A mentalização é positiva, visando o bem de todos e, especialmente, a harmonização do seu dia.

O poder da mentalização positiva pode ser tão grande que, a partir do momento em que você começar a praticar essa visualização, muitas das situações mentalizadas poderão começar a se realizar mais rapidamente.

Talvez, no início, você esteja mais atento aos resultados; com o tempo, as conseqüências desse exercício serão dias mais construtivos e mais satisfatórios e acontecerão tão naturalmente que, talvez, você nem esteja consciente de que contribuiu muito com suas mentalizações.

O que ficará em você é a sensação de que a sua vida está cada vez mais de acordo com aquilo que você deseja. O grande segredo é lembrar que os dias são ciclos preciosos de nossa existência. Cada um deles que vivemos em harmonia é mais um passo em direção a uma vida integrada e feliz.  




              (Rosana Braga)



(Adaptado do livro 10 passos para um Dia Feliz) 





quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Alice...





“Aonde fica a saída?", Perguntou Alice ao gato que ria. 
”Depende”, respondeu o gato. 
”De quê?”, replicou Alice; 
”Depende de para onde você quer ir...”

(Alice no País das Maravilhas)



terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

O Gelado sabor do verão.... O Sorvete!





O sorvete foi trazido para o Brasil em 1834.
 O produto base para a sua fabricação (gelo) veio nos porões da embarcação Madagascar diretamente de Boston.
 As 200 toneladas de barras ficaram armazenadas num galpão na cidade do Rio de Janeiro sendo conservadas com muita serragem.
                Num primeiro momento apenas às quartas-feiras a produção era feita. Assim,longas filas se formavam para consumir a delícia refrescante.
 Até mesmo as mulheres, que eram proibidas de freqüentarem cafés, bares e confeitarias naquela época, quebravam as regras para disputarem a compra da novidade.
                Daquele momento em diante, a deliciosa novidade conquistou a preferência dos brasileiros e mais do que saborear o gélido frescor, passou a ser a solução para amenizar o calor e hidratar o corpo. Seja sorvendo o sumo das mais variadas frutas envolto no palito de picolé ou na cremosidade dos sorvetes que repousam acomodadas em casquinhas e cascões.
               O consumo deste alimento aumenta a cada ano no Brasil. Porém, não somente nos meses de calor mais intenso e nem nas regiões banhadas pelo mar, o hábito de tomar sorvete não está ligado ao lugar tampouco depende do clima ou da estação.
 Vale dizer que a origem da guloseima remota desde a Roma antiga e conta que o Imperador Nero mandou trazer gelo e neve das montanhas e misturá-los com frutas.
               Outros atribuem a criação do sorvete  ao Imperador chinês King Tang, descobridor da combinação de mistura de leite com água do rio.
 Fato é que, sabidamente, a maior variedade de sabores desta inconfundível e deliciosa iguaria é das terra tupiniquins.
 Muito embora nós aceitemos que, de uma maneira ou de outra, tenha sido idealizado por uma mente imperial.

                                                     (Taís Rizzotto)
      

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Dom Luís...



Uma bola de pelos, pulgas, alguns ferimentos, uma perna fraturada, um corte na orelha.
 Um olhar de carências.
 E foi este olhar que me conquistou. Acolherei-o de pronto. Tratei de seus ferimentos, tosei-lhe o pelo, enfaixei-lhe a perna. Dei-lhe comida e carinho
. Ele retribuiu: à medida que se restabelecia mais se grudava em mim. Para onde eu me dirigisse, ele me seguia. Os olhos de carências foram substituídos por olhos de carinhos
. Este é o Dom Luís.
 Dei-lhe este nome por seu porte e sua fidalguia. Dizem por aí que é um golden retriever, seja lá o que isto for. Porte avantajado, pelo de mel, lanudo, brincalhão que dá gosto.
 Gosta de água como poucos.
 Quando vamos ao riacho curar a lerdeza do dia é o primeiro a entrar na água. E o último a sair. Pula em cima de mim, me lambe, o rabo é um espanador de tanta alegria.
 Um companheiraço
. É de vê-lo correndo atrás das galinhas, não para pegá-las, mas para se divertir com os cocoricós espavoridos. É de vê-lo com a lebre! Ela o provoca se aproximando ao máximo. Ele lhe dá corda aguardando-a deitado, os olhos brilhantes, língua de fora. Num repente soltam a correr.
 Em algumas vezes, Dom Luís imobiliza a lebre com seu corpo. Aí, a fareja, lambe, depois a larga, que foge estabanada.
 Para voltar no dia seguinte a provocá-lo.
 Já aconteceu da lebre trazer-lhe uma cenoura de presente e ele presenteá-la com um pouco de ração. É de se ver o silêncio e a atenção em que ele se põe quando me vê imerso folheando um livro ou matutando minhas tristessências
. Há dias em que saímos catando as pitangas que a vida oferece. Há noites em que, se estamos na rede, cuidamos os vaga-lumes em suas danças de mistérios.
 Ele me defende se me atacam.
 Ele me consola se eu choro.
 Ele me recolhe se esqueço de mim e me perco.
 Quando pequeno dormia próximo ao fogão de lenha. Cresceu um tanto e se arranchou à porta do quarto. Hoje dorme no quarto, num pelego aos pés da cama. E adivinho, breve estará sobre a cama. O que não me desagrada.
 A um amigo de toda a vida, companheiro de estrada, não se nega pouso.

                                         (Sérgio Napp)

domingo, 3 de fevereiro de 2013

II Silenzio...



Em fins de novembro de 1963 meu irmão caçula que tinha menos de dois anos internou no Hospital São Vicente de Paulo em Cruz Alta com quadro de desidratação grave. Iria morrer por certo e o único médico que minha mãe não desejava era o que o atendeu, Dr Jacob Blochtein pediatra e anestesista. Pela primeira vez vislumbrei a possibilidade de morte, eu que tinha seis anos e também, pela primeira vez, vi puncionarem uma veia jugular para a descida do soro. Chorei ao pé da cama, clamando para o quase impossível. Tocava em todas as rádios a música Il silenzio de Nino Rosso porque John Kennedy fora assassinado em Dallas. Aquilo tudo me parecia o fim dos tempos.

Na mesma época, nos Estados Unidos, o Dr William Haddon Jr estudava a fundo as razões e o enfrentamento correto ao trauma. Dr. Haddon não acreditava na vala comum chamada “fatalidade”. Ele acreditava que os sinistros poderiam ter nova concepção de atendimento, principalmente em relação à prevenção dos mesmos. Então, ele ofereceu à sociedade médica que os “acidentes” tinham razões pré-evento, razões no evento e no pós-evento e que a cada uma dessas situações haveria de ter abordagem diferente, mas interligada às demais. Então, o doutor propôs que se deveriam melhorar as estradas, dotar os veículos de maior segurança, cursos de direção defensiva, descanso periódico, não ingesta de bebida de álcool, cintos de segurança, controle de velocidade, uso de capacetes aos ciclistas e motociclistas, resgate eficiente, equipamentos e hospitais adequados. Verificou-se mais tarde que essas medidas tinham o poder de diminuir em até 35% as possibilidades de óbitos. Esses estudos foram estendidos a outras espécies de emergências.

Com a “fatalidade”, na querida e acolhedora Santa Maria, buscaremos alguns culpados e os processaremos. Alguns até já estão presos, afinal a sociedade precisa identificar os culpados. Mas, são muitos os culpados e nem mesmo a prisão de alguns ou muitos será capaz de abrandar a dor e o luto a que todos estamos submetidos. Dr Haddon que faleceu aos 58 anos em 1985 entendia que o sucesso da empreitada contra as mortes por trauma dependia da observação de quatro Ex: educação a todos, como forma de prevenção; execução e observação rigorosa das leis de proteção universal; engenharia aplicada de forma defensiva a qualquer ambiente e economia como forma de aplicação maciça de recursos a minimizar o número de óbitos. Ao que eu saiba, dr Haddon nunca brincou carnaval. Aqui no Brasil nós brincamos. Investimos grana pesada no divertimento que é “a cara do brasileiro”. Pulamos travestidos daquilo que gostaríamos de ser ou somos de verdade: palhaços, transexuais, políticos, super-heróis. Dr Haddon entendia que a preservação da vida vinha em primeiro lugar e depois, seguros, viria a diversão. Se tivéssemos acompanhado o raciocínio do médico americano em prevenir eventos de trauma não estaríamos vestidos de preto por luto histórico que envergonha a sociedade. Aqui no Brasil somos surpreendidos a cada tragédia, mas logo vem o carnaval e caímos no samba. E igual a 1963 o tema musical das autoridades para essa temporada deverá ser Il silenzio, de Nino Rosso.

PS. Dr Jacob Blochtein, natural de quatro irmãos e por quem minha mãe tinha uma antipatia fortuita, foi um grande médico não somente em Cruz Alta, como também em Passo Fundo, tendo sido um dos professores de nossa faculdade. Atualmente mora em Curitiba e é escritor. Meu irmão está com cinqüenta anos e deve sua vida a este extraordinário colega.


(Jorge Anunciação)