segunda-feira, 4 de março de 2013


Diário do Cão X Diário do Gato


Diário do Cão:

8:00 – Ração! A melhor coisa do mundo!
9:30 – Rolê de carro! Vento na cara! Yeah!
10:00 – Volta no parque! Oba!
10:30 – Coçaram a minha barriga! Delícia!
12:00 – Ossinho sabor carne! Já posso morrer!
13:00 – Tirei uma pestana na minha casinha!
14:00 – Acabei de tentar morder meu rabo! Não consegui, mas amanhã tento mais!
16:00 – Fiz cocô! Será que ele vai desaparecer sozinho de novo?
18:00 – Jantar! Mais Ração! Melhor coisa do mundo de novo!
20:00 – Assistir TV com o meu dono, melhor coisa do mundo! Boa noite Willian!
22:00 – Dormindo no chão gelado! Demaaaaais!



Diário do Gato:

Dia 784 – Meus seqüestradores continuam a me provocar com objetos que balançam. Eles se alimentam com carne fresca enquanto eu e meus companheiros temos de comer um tipo de nugget seco. Apesar de eu deixar claro que odeio essa comida, eu preciso comer para manter minha força.

Dia 785 – A única coisa que me mantém vivo é o meu sonho de escapar. Em uma tentativa frustrada de enjoá-los, eu vomitei no carpete. Hoje eu decapitei um rato e larguei seu corpo sem vida no pé de um de meus seqüestradores para que tenham conhecimento de minhas habilidades. Espero que tenha conseguido colocar medo em seus corações!

Dia 786 – Houve um tipo de reunião de cúmplices hoje. Eu fui, de novo, colocado na solitária durante toda duração do evento. O meu ódio cresceu! Eu ouvi de realce que o fato de eu estar preso é o risco de que eu possa causar “alergia”. Preciso aprender o que isso significa e usar a meu favor!

Dia 787 – Hoje eu quase obtive sucesso em assassinar um de meus sequestradores ao dar patadas em seus pés enquanto eles caminhavam. Eu preciso fazer isso amanhã novamente, mas nas escadas!

Dia 788 – Estou convencido de que os outros moradores, de outras espécies, trabalham para os seqüestradores. O cachorro tem privilégios especiais. Ele é solto regularmente e parece mais que satisfeito ao voltar. Ele obviamente é um completo imbecil! O pássaro com certeza é um informante. Eu observo ele se comunicar com os seqüestradores quase todos os dias. Eu estou certo de que ele reporta todos os meus movimentos para eles. Infelizmente ele possui um posto elevado e fica numa espécie de célula elevada protegida com grades, então ele está seguro, por enquanto...


Belas Canções Francesas...

domingo, 3 de março de 2013

James Van Praagh...





Querida Mamãe!



Quando se questionar sobre o sentido da vida e do amor
Saiba que estou com você,
Feche os olhos e sinta o meu beijo
Na brisa leve que toca o seu rosto.


Quando começar a duvidar de que me verá de novo
Aquiete sua mente e me ouça
Eu sou o murmúrio que vem do céu
Falando de seu amor.


Quando perder sua identidade
Quando se perguntar quem é e para onde vai,
Abra seu coração e me verá
Eu sou o piscar das estrelas sorrindo para você
Iluminando o caminho para sua jornada.


Quando acordar a cada manhã
Tendo esquecido os seus sonhos
Mas, se sentindo contente e serena
Saiba que eu estou com você
Enchendo suas noites com meus pensamentos.


                                         “A Força da Vida” de James Van Praagh.

Mergulhar é preciso...


                                                                   
Uma coisa pra se fazer na vida antes de morrer: conhecer o fundo do mar. Estive uma vez em Fernando de Noronha e foi uma experiência transformadora. Entendi completamente o sentido da palavra mergulhar.
Não sei se pelo estado de alerta que você fica à espera das surpresas submarinas, pela incrível sensação de flutuar no abismo ou simplesmente pelo único som que lhe resta ser o esquecido compasso da sua respiração, você acaba entrando num estado de concentração único e inesquecível. Um verdadeiro mergulho.
Pouco tempo depois dessa experiência, li no jornal sobre o casal que sobreviveu ao tsunami por estar justamente mergulhando. Pensar que tudo aquilo lhes passou por cima e eles continuaram a ouvir o som de suas respirações. Se estivessem navegando, teriam sido trucidados. Estar mergulhando, o que parecia mais perigoso, os salvou.
Gosto desta história. Acho bonita e irônica. Salvar-se no profundo. Salvar-se por mergulhar. Além de inacreditáveis tartarugas gigantes, o mar também nos oferece muitas metáforas. Fernando Pessoa e Dorival Caymmi se fartaram nelas. Navegar é preciso, viver não é preciso.
Passando de novo os olhos pelos versos do poeta, não consigo deixar de pensar em outro mar. Quantos de nós têm deixado de viver pra navegar? Nosso mundo virtual também vive se utilizando de imagens marinhas, mas o que diria um pescador de Caymmi se soubesse que navegamos na rede?
Já acho curioso falarmos navegar. A janela azul aberta ao mundo virtual parecia coisa de ficção científica, uma tela que nos tragaria da cadeira para um mergulho em outros mundos. Mergulhar pareceria ser o verbo perfeito e até justificaria o efeito de ausência surda e muda que baixa sobre nós, seres de faces azuis, capturados.
Mas o verbo virtual é navegar. Pensando bem, é justo. É algo que anda na superfície. Você quer um site e lhe são oferecidos outros tantos. Janelas que abrem para janelas. A cada clique, outra centena de possibilidades.
Tudo se espalha numa ramificação eterna e quando você resolve mergulhar é inevitável a sensação de perda do que poderia estar escondido no imenso mar oferecido à sua navegação. Sinto que a rede nos força naturalmente à superfície em suas imensas possibilidades.
Volto ao casal mergulhador e penso nos meus mergulhos literários de três horas sem sentir o tempo, na sala escura do cinema, nas peças de teatro e em quantas coisas que nos salvam por serem estados de mergulho pleno. Mergulhar é preciso.

                                        (Denise Fraga)

sexta-feira, 1 de março de 2013

O encanto da descoberta.... (J.J.Camargo)




Com turma nova sempre há uma certa inquietude no ar. Não importa quantas vezes tenha se repetido o ritual. O imprevisível, ao descobrir-se, e o medo contido de desagradar explicam o frisson inicial, mesmo que tenhamos envelhecido nessas incontáveis estreias. 

Naquela turma, o começo pareceu promissor, os olhos brilhantes e ligados, a economia de gestos revelando concentração, as sacudidas positivas de cabeça apontando concordância, e o riso espontâneo prometendo intimidade no futuro. Melhor não se podia esperar. 

Quando saímos do assunto técnico da aula para a discussão de um tema de relação médico/paciente, a adesão foi completa. Ninguém podia duvidar, iríamos nos entender. Os anos ensinaram a reconhecer quando a exultação no final da aula se deve a encantamento pelo aprendizado, e não a alívio pelo fim do martírio. 

Fora de questão, tínhamos acertado a mão. 

Quando toda a turma já tinha saído, uma aluna ainda arrumava calmamente a sua mochila. Ao se aproximar, abriu os braços e me envolveu. Ficamos um tempo assim. Como a iniciativa do abraço não tinha sido minha, fiquei esperando pelas palavras. Que escorreram rápidas, quando já se afastava: “Obrigada por me ensinar!” 

Recordei esta história, um dia desses, quando falei numa assembleia de professores, para discutir o papel dos que ensinam, suas vicissitudes e apreensões, suas angústias e responsabilidades, suas expectativas de reconhecimento atropeladas por decepções repetidas, sem que nada consiga embargar o fascínio que nos move e que nasce do brilho do olho dos que escutam. 

E não pensem que a alegria é proporcional ao nível intelectual dos aprendizes. Nada disso. A euforia é cria da descoberta. O entusiasmo é fruto do novo. E a empolgação é babá da esperança. E em qualquer idade. 

Todo professor apaixonado sabe intimamente que fazer parte disso é dádiva do destino, que nos colocou no caminho de mentes vorazes por aprender, mais e mais, porque essa roda não tem fim. Mesmo que tantas vezes se cometa a injustiça de retardar esse deslumbramento. 

O grande mestre Paulo Freire estava no sertão de Sergipe, em uma nova jornada de trabalho com um grupo de camponeses muito pobres, que começavam a ser alfabetizados. 

“Como estás João, tudo bem?” 

João se calou, tirou o chapéu, olhou o horizonte e por fim disse: “Não consegui dormir. Toda a noite sem pregar os olhos!” Mais palavras não saíram da sua boca, até que ele murmurou: “Ontem eu escrevi meu nome, pela primeira vez!”
 

J. J. Camargo é cirurgião torácico e chefe do Setor de Transplantes da Santa Casa de Misericórida*

Mulherão...




Mulherão é quem leciona em troca de um salário mínimo,
é quem faz serviços voluntários, é quem colhe uva, é quem opera pacientes,
 é quem lava roupa pra fora, é quem bota a mesa, cozinha o feijão e à tarde trabalha atrás de um balcão.
Mulherão é quem cria filhos sozinha, quem dá expediente de oito horas e enfrenta menopausa, TPM, menstruação.
Mulherão é quem arruma os armários, coloca flores nos vasos, fecha a cortina para o sol não desbotar os móveis, mantém a geladeira cheia e os cinzeiros vazios.
Mulherão é quem sabe onde cada coisa está, o que cada filho sente e qual o melhor remédio pra azia.
Lumas, Brunas, Carlas, Luanas e Sheilas:
Mulheres nota dez no quisito lindas de morrer,
 mas mulherão
 é quem mata um leão por dia.

                                       (Martha Medeiros)


Março, Mês da Mulher...


Beleza, dedicação e coragem na conquista do seu 
espaço.



A mulher esposa, a mulher mãe, a mulher filha, a filha que está se transformando em mulher. São fases marcantes na vida dessa pessoa que se dedica ao próximo, algumas vezes muito mais do que a si mesmo. Mulher que vence preconceitos, barreiras e discriminação, conquista espaço pela competência, espírito superior e conciliador.

Mulher que ganhou um mês só para ela, graças a qualidades como inteligência, jogo de cintura e coragem. 

Cada tijolo assentado nessa grande casa chamada vida, lá está ela, sempre presente na alegria e na tristeza, compartilhando experiências, reproduzindo conhecimento e construindo um mundo melhor para todos.
Seus momentos difíceis são compensados pela sua beleza e dedicação, sempre presente nos mais diversos instantes da vida.

O porto seguro para o marido e filhos, a mão amiga para a família, a confidente aos amigos, a mulher que sempre deixa sua marca, sempre presente.

 Parabéns a todas as mulheres nesse mês especial.