quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

O Gato e a Espiritualidade...

                                                                                   


Quem não se relaciona bem com o próprio inconsciente não topa o gato. Ele aparece, então, como ameaça, porque representa essa relação precária do homem com o (próprio) mistério.
 O gato não se relaciona com a aparência do homem. Ele vê além, por dentro e pelo avesso. Relaciona-se com a essência.
 Se o gesto de carinho é medroso ou substitui inaceitáveis (mas existentes) impulsos secretos de agressão, o gato sabe. E se defende do afago.
 A relação dele é com o que está oculto, guardado e nem nós queremos, sabemos ou podemos ver. Por isso, quando surge nele um ato de entrega, de subida no colo ou manifestação de afeto, é algo muito verdadeiro, que não pode ser desdenhado. É um gesto de confiança que honra quem o recebe, pois significa um julgamento.
 O homem não sabe ver o gato, mas o gato sabe ver o homem. Se há desarmonia real ou latente, o gato sente. Se há solidão, ele sabe e atenua como pode, ele que enfrenta a própria solidão de maneira muito mais valente que nós. Nada diz, não reclama. Afasta-se. Quem não o sabe "ler" pensa que "ele" não está ali. Presente ou ausente, ele ensina e manifesta algo. Perto ou longe, olhando ou fingindo não ver, ele está comunicando códigos que nem sempre (ou quase nunca) sabemos traduzir.
 O gato vê mais e vê dentro e além de nós. Relaciona-se com fluídos, auras, fantasmas amigos e opressores.
 O gato é médium, bruxo, alquimista e parapsicólogo. É uma chance de meditação permanente a nosso lado, a ensinar paciência, atenção, silêncio e mistério.
 O gato é um monge silencioso, meditativo e sábio monge, a nos devolver as perguntas medrosas esperando que encontremos o caminho na sua busca, em vez de o querer preparado, já conhecido e trilhado.
 O gato sempre responde com uma nova questão, remetendo-nos à pesquisa permanente do real, à busca incessante, à certeza de que cada segundo contém a possibilidade de criatividade e de novas inter-relações, infinitas, entre as coisas.
 O gato é uma lição diária de afeto verdadeiro e fiel. Suas manifestações são íntimas e profundas. Exigem recolhimento, entrega, atenção. Desatentos não agradam os gatos. Bulhosos os irritam. Tudo o que precise de promoção ou explicação quer afirmação. Vive do verdadeiro e não se ilude com aparências.
 Ninguém em toda natureza aprendeu a bastar-se (até na higiene) a si mesmo como o gato!
 Lição de sono e de musculação, o gato nos ensina todas as posições de respiração ioga.
 Ensina a dormir com entrega total e diluição recuperante no Cosmos.
 Ensina a espreguiçar-se com a massagem mais completa em todos os músculos, preparando-os para a ação imediata.
Se os preparadores físicos aprendessem o aquecimento do gato, os jogadores reservas não levariam tanto tempo (quase 15 minutos) se aquecendo para entrar em campo.
 O gato sai do sono para o máximo de ação, tensão e elasticidade num segundo. Conhece o desempenho preciso e milimétrico de cada parte do seu corpo, a qual ama e preserva como a um templo.
 Lição de saúde sexual e sensualidade. Lição de envolvimento amoroso com dedicação integral de vários dias. Lição de organização familiar e de definição de espaço próprio e território pessoal. Lição de anatomia, equilíbrio, desempenho muscular. Lição de salto. Lição de silêncio. Lição de descanso. Lição de introversão. Lição de contato com o mistério, com o escuro, com a sombra. Lição de religiosidade sem ícones. Lição de alimentação e requinte. Lição de bom gosto e senso de oportunidade. Lição de vida, enfim, a mais completa, diária, silenciosa, educada, sem cobranças, sem veemências, sem exigências.
 O gato é uma chance de interiorização e sabedoria, posta pelo mistério à disposição do homem.
" O gato é um animal que tem muito quartzo na glândula pineal, é portanto um transmutador de energia e um animal útil para cura, pois capta a energia ruim do ambiente e transforma em energia boa, -- normalmente onde o gato deita com frequência, significa que não tem boa energia-- caso o animal comece a deitar em alguma parte de nosso corpo de forma insistente, é sinal de que aquele órgão ou membro está doente ou prestes a adoecer, pois o bicho já percebeu a energia ruim no referido órgão e então ele escolhe deitar nesta parte do corpo para limpar a energia ruim que tem ali.
 Observe que do mesmo jeito que o gato deita em determinado lugar, ele sai de repente, poi ele sente que já limpou a energia do local e não precisa mais dele.
 O amor do gato pelo dono é de desapego, pois enquanto precisa ele está por perto, quando não, ele se a afasta.
 No Egito dos faraós, o gato era adorado na figura da deusa Bastet, representada comumente com corpo de mulher e cabeça de gata. Esta bela deusa era o símbolo da luz, do calor e da energia. Era também o símbolo da lua, e acreditava-se que tinha o poder de fertilizar a terra e os homens, curar doenças e conduzir as almas dos mortos. Nesta época, os gatos eram considerados guardiões do outro mundo, e eram comuns em muitos amuletos.
 "O gato imortal existe, em algum mundo intermediário entre a vida e a morte, observando e esperando, passivo até o momento em que o espírito humano se torna livre.
 Então, e somente então, ele irá liderar a alma até seu repouso final." 



Fonte: The Mythology Of Cats, Gerald & Loretta Hausman

Não mais desejarei...



Chega de bajular meus amigos no ano novo. Me dei conta: desejar-lhes coisas boas tem sido inútil. Preparem-se para a verdade. 
Não mais desejarei sonhos realizados; o que falta não são sonhos, mas coragem e estratégia. Sem coragem e estratégia tornam-se infecundos os sonhos. Tenho um amigo que deseja passar num concurso público. Que tenha coragem para muitas horas de estudo, que organize seu tempo em função do que sonha. Que fique menos no facebook, tome menos cerveja e assista menos a jogos de futebol.
Não mais desejarei dinheiro no bolso; o que falta é oportunidades. Que as tenham e estejam preparados para elas. Meu pai dizia “sorte é um cavalo encilhado que passa. É preciso montá-lo e entender de domas e, tendo conseguido montá-lo, agarrar-se bem às crinas”. Então, quem deseja estar preparado para a oportunidade treine domas, exercite a fortaleza das mãos, com calos, de preferência; mãos calejadas não deslizam em crinas.
Não mais desejarei amor; muitos têm amor e o perdem. Então, que saibam cultivar o amor. Que sejam jardineiros, agricultores. Sobretudo aprendam de paciência. O amor não aguenta ansiedade, desespero. Não adianta desejar amor para quem não sabe amar. 
Não mais desejarei felicidade. Ninguém pode estar sempre feliz. Começamos com contos de fada na infância e depois ficamos querendo o amor das novelas, dos romances açucarados, dos filmes comerciais. Será que Jesus Cristo teve uma vida feliz? Madre Tereza de Calcutá vivia sorrindo? Mandela foi sempre feliz, inclusive na prisão? Desejo que tenham vidas com significados, importantes como a dos grandes personagens da literatura.
Não mais desejarei saúde pra dar e vender. Saúde não se negocia, se preserva. Se meus amigos não querem deixar de fumar, não fazem exercícios, não se alimentam de modo adequado, não querem fazer exame de próstata, de que adianta desejar saúde? Tomem providências, porque de agora em diante, se depender de mim, nada de saúde boa. Mas não me culpem, nem culpem Deus pelos achaques. Culpem seus maus hábitos.
Não mais desejarei paz. Nem para meus amigos, nem para o mundo. Que meus amigos resolvam seus conflitos com diálogo ou psicoterapia. A paz de cada um não depende dos outros. E a paz do mundo também não depende apenas de meu desejo, nem de todas as pessoas. Paz não é desejo, é atitude.
Não considerem isso maldade minha. O que estou fazendo com vocês já faço comigo há tempos. Tenho tomado sérias providências para mudar minha a vida sem desejos bobinhos. A realidade me fez saltar sete ondas enormes. Não tenho mais medo de mar

 Pablo Moreno

Na companhia dos passarinhos...

                                                     
                       

Para quem ama animais de todo coração mas não tem coragem de adotar ou por falta de tempo, ou por não ter espaço suficiente em casa uma ótima opção é cativar pássaros! Fazer pequenos agrados que façam com que eles venham sempre cantarolar, bebericar água e tomar banho no seu jardim, varanda ou sacada! Para quem ama esses bichinhos, não tem coisa mais amada de assistir!

Eles são mimosos, vivem livres pela natureza e se contentam com as coisas mais simples! Vocês terão não um, mas vários bichinhos por perto sem ter que mantê-los presos em gaiolas, por exemplo. E sem o compromisso e a preocupação de quem tem um cão, um gato ou mesmo um pássaro dentro de casa.

Então, se vocês gostaram da ideia e querem ter a companhia deles a qualquer hora do dia, a dica é instalar um comedouro e um bebedouro que também servirá como banheira e deixar de vez em quando ali algumas sementinhas ou até pedacinhos de frutas como mamão e banana, eles adoram! E água fresquinha!

Vocês já presenciaram um pássaro se banhando? É a cena mais linda e fofa que já vi!

Então, que tal começar a preparar o sua área para receber esses visitantes surpreendentes, heim? Simplesmente fazer o convite – com essas dicas – e deixá-los te fazerem companhia?

E não é nada difícil poder apreciar essa cena linda, não! Sabem essas lojas que vendem vasos artesanais para plantas, eles tem opções para quem mora em casa e tem um jardim, aqueles bebedouros com cara de antiguinhos ou modelos mais simples. Acho que algumas floriculturas também tem! Outra opção é criar uma banheira a partir de um ninho de cipós e encaixar nele esses pratinhos para vasos mantendo a água sempre limpa e fresquinha! E para quem mora em apartamento e quer começar com banheiras mais simplesinhas, dá pra encontrar até em Pet Shop! É só escolher um lugar protegido da chuva, pendurá-los e esperar as visitas chegarem!  



terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Os trinta e três nomes de Deus...

                                                       


Os trinta e três nomes de Deus: De vez em quando perguntam-me se acredito em Deus. Mas é claro. Acredito mais que a maioria das pessoas. Tenho até trinta e três nomes para ele. Esses nomes foi a Margueritte Yourcenar que me contou. Ela foi uma escritora maravilhosa, autora do livro Memórias de Adriano, quem lê nunca mais esquece, quer ler de novo. Pois esses são os trinta e três nomes de Deus que ela me ensinou. É só falar o nome, ver na imaginação o que o nome diz, para que a alma se encha de uma alegria que só pode ser um pedaço de Deus… Mas é preciso ler bem devagarinho…

1.Mar da manhã.
2.Barulho da fonte nos rochedos sobre as paredes de pedra.
3.Vento do mar de noite, numa ilha…
4.Abelha.
5.Vôo triangular dos cisnes.
6. Cordeirinho recém-nascido….
7.Mugido doce da vaca, mugido selvagem do touro.
8.Mugido paciente do boi.
9. Fogo vermelho no fogão.
10.Capim.
11.Perfume do capim.
12.Passarinho no céu.
13.Terra boa…
14.Garça que esperou toda a noite, meio gelada, e que vai matar sua fome no nascer do sol.
15. Peixinho que agoniza no papo da garça.
16. Mão que entra em contato com as coisas.
17.A pele, toda a superfície do corpo
18. O olhar e tudo o que ele olha.
19.As nove portas da percepção.
20.O torso humano.
21.O som de uma viola e de uma flauta indígena.
22.Um gole de uma bebida fria ou quente.
23.Pão.
24.As flores que saem da terra na primavera.
25.Sono na cama.
26. Um cego que canta e uma criança enferma.
27. Cavalo correndo livre.
28.A cadela e os cãezinhos.
29.Sol nascente sobre um lago gelado.
30.O relâmpago silencioso.
31. O trovão que estronda.
32.O silêncio entre dois amigos.
33.A voz que vem do leste, entra pela orelha direita e ensina uma canção…”

Agradeço ao Carlos Brandão por haver me apresentado os trinta e três nomes de Deus da Margueritte. Não é preciso que sejam os seus. Faça a sua própria lista.

Eu incluiria:

Ouvir a sonata Apassionata de Beethoven.
Sapos coaxando no charco.
O canto do sabiá.
Banho de cachoeira.
A tela “Mulher lendo uma carta”, de Vermeer.
O sorriso de uma criança.
O sorriso de um velho.
Balançar num balanço tocando com o pé as folhas da árvore…
Morder uma jabuticaba…
Todas essas coisas são os pedaços de Deus que conheço… Sim, acredito muito em Deus.

                 (Rubem Alves)

domingo, 5 de janeiro de 2014

Final de um ano, início de um outro...

  1.                                                           

    Os finais de ano têm como característica o cansaço generalizado. Não há quem não diga que está precisando de férias. Os dias quentes se arrastam feito tartarugas e nós suamos os litros de água que nos ensinaram ser bom tomar. É devastador!

    As festas tão esperadas trazem consigo a tradição das comidi...nhas tão bem elaboradas por nossas mães e avós. Talvez na época delas não fosse tão quente. Mas os quitutes ainda são feitos, doa a quem doer. Só que não como elas faziam! 
    Lembro do barulho da massa de cuca sendo maltratada dentro de uma enorme bacia. Era um tal de bate pra cá e bate pra lá, levanta e estica, até que ficasse algo fofo, solto. E toca botar pra crescer, pra depois bater de novo, mas sem fúria, para a massa ir para as formas. Aquilo tudo era coberto por uma farofa de manteiga, açúcar e canela ou noz moscada, não lembro. Mas tinha um cheiro que era de levantar doente terminal. 
    As cucas depois de assadas davam lugar às bolachas. Ah! Eram de manteiga, de mel, de milho e levavam calda por fora e açúcares coloridos e glacês perfumados. Duvido que se consiga fazer assim, cheiroso, tenro, carregado de significado. Minha mãe e minha sogra eram artistas do paladar, da estética gastronômica, da orgia olfativa de final de ano.
    É claro que os finais de ano não são feitos só de comidas, mas de bebidas inclusive. Há muitos anos bebíamos Bole, que era uma mistura de espumante e guaraná, onde boiavam pedacinhos de frutas. Essa mistura mudou de nome e passou a chamar-se Clericot, coisa fina! Parece que vai mais coisa dentro. Hoje a gente bebe tudo brut, tudo seco e se for um tinto, encorpado. Refris são zero, a água com gás, mas a cerveja acho que não mudou nada. Continua tendo que ser super gelada e ter colarinho pequeno. 
    Enfim, estamos cansados, mas vamos sobreviver aos amigos secretos, à profusão de comidas e bebidas, ao Papai Noel, à ansiedade das crianças, mas o foguetório poderia ser eliminado, castrado, proibido. Esse já fez estragos suficientes por este mundo afora. Mas, sem chance, eles vão acontecer. 
    Importante é estarmos juntos, renovando nossos propósitos de construção de algo que contemple melhor o que seja humanidade. Vamos fazer as coisas melhor para todo mundo. Isto é muito bom! Boas Festas!                                           Sueli Gehlen Frosi

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Araras do Pantanal...

Lindas e colossais Araras do Pantanal

Graciosas e naturalmente enfeitadas

Enobrecem e coroam a fauna

Com suas plumas coloridas e adornadas

Elegantes, parecem arrumadas pra festa

Criteriosamente lindas e fantasiadas

De tão nítidas suas belas cores

Confunde-se ser até desenhadas !


Ao avistá-las nosso instinto

Convida-nos a parar e contemplar

Estas Araras azuis, amarelas e vermelhas

Formosas na terra ou no ar

Sempre voando aos pares

E emitindo seu incansável gralhar

Cortam os céus com graciosidade

Que nos encantam ao admirar !


Alimentam-se de frutas silvestres

E coquinhos do coqueiro buriti

Elas povoam suas altas copas

E degustam sossegadas ali

Usam meticulosamente seus bicos

Que tem força, como igual nunca vi

É mais um retrato das belezas pantaneiras

Que enfeitam e habitam por aqui !



Sua revoada é um especial espetáculo

Que os olhos alegram-se e sorri encantados

E quando pousam se torna um altivo cenário

Assumindo ares de fantástico local sagrado

Suas plumagens coloridas se misturam

Tendo-se a visão de um quadro pintado

Com infinitas cores de uma aquarela

E em meio a verde relva exposto, pendurado !


Aninham-se em ocos naturais de árvores

Para se refugiarem de predadores

E ali colocar seus ovos pra procriarem

Muitas vezes vigiadas por protetores

E assim vai se garantindo a espécie

Como garante interessados avaliadores

Ave que ameaçada de extinção já esteve

Até por ação de cruéis homens caçadores

Garbosas e encantadoras Araras pantaneiras

Que são as mais belas Araras brasileiras !!


                                                                                          (Edson Amorim)

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Fim de Ano...



Final e início de ano é época de renovações de propósitos, de fazer um balanço do que passou e do que poderemos fazer nos próximos 12 meses. É época de doçuras e reconciliações. É tempo de soerguimento de ânimo e afirmação de propósitos. No plano individual, creio que vale a pena o compromisso de sermos mais fraternos e menos egoístas. Nossa natureza é naturalmente inclinada ao egoísmo e se quisermos dar espaço para os outros, se quisermos limitar nossa liberdade às condições de sua integração com a dos outros, então será preciso muito esforço, até mesmo que nos violentemos, em nome de uma nova ordem de coexistência. 

Precisamos, urgentemente, encontrar uma maneira de viver em harmonia com os outros. Respeitar nossas diferenças como seres humanos, nossas culturas, nossas religiões e nossos tiques individuais. Para o filósofo Luc Ferry, “ser sábio, por definição não é amar ou querer ser amado, é simplesmente viver sabiamente, feliz e livre”. Liberdade e felicidade, eis o que o Iluminismo do século 18 nos prometeu. Libertar os espíritos, emancipar a humanidade dos grilhões da superstição e do obscurantismo medieval. A razão sairia gloriosa do combate contra a religião e, geralmente, contra todas as formas de argumentos de autoridade. Entretanto, o que vemos ainda hoje é o crescimento dos fundamentalismos religiosos de caráter violento, caracterizados por guerras e ataques terroristas. Um dos grandes problemas destes primeiros anos do século 21 é a falta generalizada de respeito mútuo que o mundo atravessa. É um mundo de puro cinismo, comandado pelas leis cegas do mercado e da competição globalizada. No cerne da ideia de progresso, esteve/está a liberdade e a felicidade. 

O desenvolvimento das ciências é/seria o caminho para a civilização. Entretanto, o que estamos observando é aquilo de Heidegger chama de “mundo da técnica”, um universo no qual a preocupação com os fins, como os objetivos últimos da história humana, vai desaparecer totalmente em benefício único e exclusivo da atenção aos meios. A noção de progresso, nessa atual perspectiva da globalização, muda totalmente de significado: em vez de se inspirar nos ideais transcendentes, o progresso vai, pouco a pouco, se restringir a ser apenas o resultado mecânico da livre concorrência em seus diferentes componentes. Para Luc Ferry. “a economia moderna funciona como a seleção natural de Darwin: de acordo com uma lógica de competição globalizada, uma empresa que não progrida todos os dias é uma empresa simplesmente destinada à morte”. O progresso não tem outro fim além de si mesmo, ele não visa a nada além de manter no páreo com outros concorrentes. Assim, o poder dos homens sobre o mundo é cada vez maior. Tornou-se um processo incontrolável e cego, ultrapassando as vontades individuais conscientes.

A emancipação e a felicidade dos homens que o Iluminismo prometia, estão cada vez mais distantes. A técnica tornou-se um processo em propósito, desprovido de qualquer espécie de objetivo definido. Tomara que em 2014 possamos resgatar o que,no século 19, podia se chamar de “res publica”, isto é, “causa comum”. Aqui em Passo Fundo 2013 foi marcado pelo início de um novo governo, tendo à frente dois jovens políticos com uma proposta arrojada para mudar os destinos do município, Luciano Azevedo e Juliano Roso. Os programas lançados, ao longo do ano, demonstram um comprometimento com o homem, com a natureza, com os ideais de felicidade e liberdade. Certa vez o poeta maior Carlos Drummond de Andrade escreveu, “pois de amor andamos todos precisando, em dose tal que nos alegre, nos reumanize, nos corrija, nos dê paciência e esperança, força capacidade de entender perdoar, ir em frente. Amor que seja navio, casa, coisa cintilante, que nos vacine contra o feio, o triste, o mau, o absurdo e o mais que estamos vivendo e presenciando”. 

Desejo a todos que em 2014, como diz aquela linda canção de Ivan Lins e Vitor Martins, “com força e com vontade/a felicidade há de se espalhar/com toda a intensidade. Há de molhar o seco/de enxugar os olhos/de iluminar os becos/antes que seja tarde. Há de assaltar os bares/de retomar as ruas/de visitar os lares/há de rasgar a trevass/e abençoar o dia/e de guardar as pedras/há de deixar sementes/do mais bendito fruto/na terra e no ventre/há de fazer alarme/e libertar os sonhos/da nossa mocidade/há de mudar os homens/antes que a chama apague/antes que a fé se acabe/antes que seja tarde”.
 Boas Festas !

(José Ernani de Almeida)