domingo, 8 de janeiro de 2012

Abraço é confissão...


 

"Odeio abraço falso, como aquele beijo de frígida, no qual a face bate na face e os lábios se transformam em beiço."(...) Até abraçar desaprendemos. Ninguém mais abraça com vontade. Com sinceridade de velório.

Abraço tem que ter pegada, jeito, curva. Aperto suave, que pode virar colo. Alento tenso, que pode virar despedida.

É pelo abraço que testo o caráter do outro. Não confio em quem logo dá tapinhas nas costas. A rapidez dos toques indica a maldade da criatura.

Não sou porta para bater. 
Nem madeira para espantar azar.

Abraço com toquinho é hipócrita. 
É abraço de Judas. De traidor. 
O sujeito mal encosta a pele e quer se afastar. 
Pede espaço porque não suporta os pecados dos pensamentos.

Devemos fechar os olhos no abraço, respirar a roupa do abraçado, descobrir o perfume e a demora no banho.

Abraço não pode ser rápido senão é empurrão. Requer cruzamento dos braços e uma demora do rosto no linho.

Abraço é para atravessar o nosso corpo. Ir para a margem oposta. Nadar para ilha e subir ao topo da pedra pela gratidão de sopro.

Sou adepto a inventar abraços. Criar abraços. Inaugurar abraços. Realizar um dicionário de abraços. 
Um idioma de abraços.

O meu é o de cadeira de balanço. Giro nas pontas dos pés. Não largo, os primeiros minutos são para sufocar, 
os demais servem para o enlaçado se recuperar do susto.

Não entendo onde terminará o abraço. Se a pessoa vai chorar ou vai rir. Abraço é confissão.

Dez minutinhos de sol e de liberdade."

(Fabrício Carpinejar)

sábado, 7 de janeiro de 2012

Parabéns Moniquinha...


Chegou o grande dia, Senhor, chegou o dia da despedida.
Do troféu. O troféu é o nosso diploma.
Galgamos o cume de um monte de onde se descortinam vários caminhos.
Caminhos que serão percorridos de acordo com a vocação e as escolhas de cada um.

Chegou o dia do fim. O dia do começo.
E, como em todas as formaturas é dia de gratidão.
Gratidão a ti meu, Deus. Autor da vida e de tudo o que existe.
Gratidão aos pais, professores, funcionários, amigos.
E todas essas pessoas que foram afinando as vozes
para que o corpo pudesse entoar sua canção.

A canção esta pronta. É só começar o espetáculo.
A cada espaço de tempo, um sinal era tocado
para que as pessoas se preparassem para o momento da estréia.
A estréia é hoje. Tudo já foi ensaiado.
É claro que sempre falta um detalhe aqui ou ali.
 Mas tudo está pronto para começar.

E a vida aguarda os novos artistas.
E o mundo está sedento do talento desses jovens
que saem da gruta sem medo de enfrentar as feras que surgiram pelo caminho.
Estão armados. Porque ter medo? Armados de valores,de conhecimento, de amor.
Armados para derrotar o que deve ser derrotado
e fazer tremular, no mais alto mastro, a bandeira da vida, iluminada com o sinal da paz.

O tempo passou rápido demais. No começo, movia-se devagar.
Os primeiro dias. Os primeiros contatos, tudo era novidade.
Cada novo momento parecia difícil de ser aprendido.
As notas foram ganhando sonoridade.
O som agradável foi contagiando toda a escola.
E os estudantes foram crescendo, tal qual aurora que todos os rincões do mundo.

E essa luz que vinha das conversas, dos risos, das pequenas discussões
que faziam da escola um espaço de magia.
E todo o reino era tomado por um sentimento único de esperança.
Alias, no reino encantado da escola,
os príncipes e princesas tem o dever de ensinar a sonhar.

Apenas isso e nada mais. E isso já é o bastante.
O sonho está mais vivo do que nunca neste dia.
A caverna já cumpriu sua missão.
Não é possível mais viver em seus seguros espaços.
É preciso sair para o mundo.
É preciso deixar na caverna tantos momentos lindos que marcaram nossa história.
 Toda cumplicidade dos maestros que lá estavam
e que anunciavam a luz que nos aguardava.

É preciso levar da caverna os sentimentos corretos.
A determinação de não nos acomodarmos com o que esta acontecendo de errado.
Aprendemos que nunca deveríamos negligenciar os nossos valores, os nossos ideais.
E seremos fieis a essa vocação.

Hoje é o dia da formatura.
E a emoção desse dia tem de ser um marco que nos proteja
do crime da acomodação e da apatia.
Que a juventude que temos seja eterna,
e que desejo de mudar o mundo saia da utopia e habite a realidade.
Esta é a nossa oração. Este é nosso interno amoroso.
Estamos prontos. Saudosos de um passado recente. Mas prontos.

Podem abrir as cortinas.
O espetáculo vai começar.
 Proteja-nos, Senhor nesta e em todas as nossas apresentações.
 Não podemos desanimar. Assim seja!

(Gabriel Chalita)

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Viver a Vida com Intensidade...


                          A vida é curta, quebre as regras...
                          perdoe rapidamente...
                          beije demoradamente...
                          ame verdadeiramente...
                          ria incontrolavelmente  e,
                          e nunca deixe de sorrir  -
                          por mais estranho que se-
                          ja o motivo.

                         A vida pode não ser a festa
                         que esperávamos, mas en-
                         quanto estamos aqui,devemos
                         dançar.
                                                  (Chico Xavier)
    

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Guardados de Infância.


                   Compro gavetas, armários, cômodas e baús.
                   Preciso guardar minha infância: 
                   os jogos de amarelinha, os segredos que me
                   contaram lá no fundo do quintal.

                  Preciso guardar minhas lembranças:
                 as viagens que não fiz, 
                 ciranda, cirandinha
                 e o gosto de aventura que havia nas manhãs

                Preciso guardar meus talismãs:
                o anel que tu me destes,
                o amor que tu me tinhas
                e as histórias que eu vivi.
                                                          (Roseana Murray)     
      
        

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Bela Lagoa dos Patos...


Bela Lagoa dos Patos...

Lago Verde Azul

Um medo de andar solito, ouvindo vozes e gritos
E até do barco um apito, na sua imaginação.
Olhos esbugalhados, do moleque assustado,
Olhando aquele mar bravo,
Ora doce, ora salgado, num temporal de verão.

Sem camisa na beirada, bombachita arremangada
Botou petiço na estrada, quando a areia lhe guasqueou.
Sentiu um arrepio, com aquele ar frio que o açude e rio,
E as águas que ele viu não lhe provocou.

Coqueiro e figueira dos matos
E a bela Lagoa dos Patos,
Ó verdadeiro tesouro.
Lago Verde e Azul,
Que na América do Sul
Deus botou pra bebedouro.

Tempos que ainda tinha, o bailado da tainha
Quando o boto vinha com gaivota revoada.
E entre outros animais, no meio dos juncais
Surgiam patos baguais e hoje não se vê mais,
Este símbolo da aguada.

Nas noites de lua cheia, a gente sentava na areia
Para ver se ouvia a sereia, entre as ondas cantando.
E hoje eu volto ali, no lugar em que vivi
Onde nasci quando guri,
E olho a lagoa em ti, e me enxergo chorando.


terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Sai Baba





                       As  preces devem emanar do coração, onde DEUS
         habita, e não da cabeça, onde as doutrinas e as dúvidas
         se chocam...            
                                            (Sai Baba)

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Os Pais Envelhecem...


Talvez a mais rica, forte e profunda
experiência da caminhada humana seja
a de ter um filho.
Plena de emoções, por vezes
angustiantes, ser pai ou mãe é provar
os limites que constituem o sal e
o mel do ato de amar alguém.
Quando nascem, os filhos comovem
por sua fragilidade, seus imensos
olhos, sua inocência e graça.
Basta vê-los para que o coração se
alargue em riso e cor.
Um sorriso é capaz
de abrir as portas de um paraíso.
Eles chegam à nossa vida com
promessas de amor incondicional.
Dependem de
nosso amor, dos cuidados que temos.
E retribuem com gestos que
enternecem.
Mas os anos passam e os filhos crescem.
Escolhem seus próprios caminhos,
parceiros e profissões.
Trilham novos rumos, afastam-se
da matriz.
O tempo se encarrega da formação
de novas famílias.
Os netos nascem.
Envelhecemos.
E, então, algo começa a mudar.
Os filhos já não têm pelos pais aquela
atitude de antes.
Parece que agora só
os ouvem para fazer críticas,
reclamar, apontar falhas.
Já não brilha mais nos olhos deles
aquela admiração da infância e isso
é uma dor imensa para os pais.
Por mais que disfarcem, todo pai e mãe
percebem as mínimas faíscas no olho de
um filho.
É quando pais, idosos, dizem para
si mesmos:
Que fiz eu? Por que o encanto acabou?
Por que meu filho já não me tem como
seu herói particular?
Apenas passaram-se alguns anos e
parece que foram esquecidos os
cuidados e a sabedoria que antes
era referência para tudo na vida.
Aos poucos, a atitude dos filhos se
torna cada vez mas impertinente.
Praticamente não ouvem mais
os conselhos.
A cada dia demonstram mais impaciência.
Acham que os pais têm opiniões
superadas, antigas.
Pior é quando implicam com as manias,
os hábitos antigos, as velhas músicas.
E tentam fazer os velhos pais se
adaptarem aos novos tempos,
aos novos costumes.
Quanto mais envelhecem os pais, mais
os filhos assumem o controle.
Quando eles estão bem idosos, já não
decidem o que querem fazer ou o
que desejam comer e beber.
Raramente são ouvidos, quando
tentam fazer algo diferente.
Passeios, comida, roupas,
médicos - tudo passa a
ser decidido pelos filhos.
E, no entanto, os pais estão
apenas idosos.
Mas continuam em plena posse
da mente.
Por que então desrespeitá-los?
Por que tratá-los como se fossem
inúteis ou crianças sem discernimento?
Sim, é o que a maioria dos filhos faz.
Dá ordens aos pais, trata-os como se
não tivessem opinião ou capacidade
de decisão.
E, no entanto, no fundo daqueles olhos
cercados de rugas, há tanto amor.
Naquelas mãos trêmulas, há sempre
um gesto que abençoa, acaricia.
* * *
A cada dia que nasce, lembre-se, está
mais perto o dia da separação.
Um dia, o velho pai já não estará aqui.
O cheiro familiar da mãe estará ausente.
As roupas favoritas para sempre
dobradas sobre a cama, os chinelos em
um canto qualquer da casa.
Então, valorize o tempo de agora
com os pais idosos.
Paciência com eles
quando se recusam a tomar os
remédios, quando falam
interminavelmente sobre
doenças, quando se queixam de tudo.
Abrace-os apenas, enxugue suas lágrimas
ouça suas histórias (mesmo que
sejam repetidas)e dê-lhes
atenção, afeto...
Acredite: dentro daquele velho coração
brotarão todas as flores da esperança
e da alegria.