terça-feira, 7 de maio de 2013

7 de Maio... Saudade!

 
 
...Fazer da saudade uma arte...
a arte de sentir a brisa, de sentir o sol de inverno,
de ouvir a chuva cair sem que estejas aqui
de olhar o céu...
com as lembranças que tenho de ti...



sábado, 27 de abril de 2013

André Rieu no Rio....

 
Apresentação gloriosa!
Valsas de Strauss, temas de filmes, clássicos de música pop, etc...
Muita emoção e alegria...
 



quinta-feira, 11 de abril de 2013

André Rieu e a paixão pela música...

 

 “Especialmente no que diz respeito aos últimos vinte anos, considero que a minha vida pessoal é tão influenciada pelo meu trabalho que uma descrição da primeira é praticamente a mesma que a história da minha carreira. Especialmente porque a minha esposa, Marjorie, tem estado sempre muito próxima desde o início da minha carreira. A minha vida é simplesmente música, estamos sempre ocupados com música e nunca nos aborrece!

Já durante a minha infância me sentia fascinado pelo mundo da música. O meu pai era maestro e lembro-me da massiva orquestra com aquele belo som, todos aqueles arcos a movimentarem-se na mesma direção… achava tudo aquilo simplesmente maravilhoso. Mas já nessa altura me surpreendia que o ambiente nos concertos fosse tão sombrio. Toda a gente estava tão séria e não era autorizado rir ou tossir, apesar de eu achar que aquela música demonstrava tanta alegria!  


Todo aquele ambiente estático que existe ao redor da música clássica na sala de concertos e mantém afastado o grande público não é algo que encontrará conosco. A nossa orquestra é composta por jovens, músicos entusiastas que permanecem no palco todas as noites, com todo o seu coração, para me acompanharem nos concertos. E esse entusiasmo é irradiado até junto do público. Durante os nossos concertos, tanto eu como a minha orquestra e o público sentimos um enorme prazer coletivo. Desde abanar a cabeça, murmurar o som da música, bater palmas, saltar, tudo acontece!
Todas as noites, ocorre sempre uma enorme experiência e para um músico nada é mais importante que isso.

Durante os meus anos de estudo de violino no Conservatório, alguém me pediu que tocasse numa orquestra de salão. Foi aí que, pela primeira vez, toquei uma valsa - “Gold und Silber” de Franz Léhàr. Que revelação! Fiquei imediatamente viciado pela medida que, anos mais tarde, se tornou o meu ritmo de vida: a medida de três quartos, a valsa. Hoje em dia, toco acompanhado da minha própria orquestra muito mais do que apenas valsas. O meu sonho é tornar toda a música clássica acessível a todos. E para atingir esse objetivo, construi o meu próprio estúdio, onde todos nós agora trabalhamos para gravar música clássica.

"Espero que me seja concedido tempo para oferecer muita felicidade a todas as pessoas através da música clássica!” André Rieu

O falsificador...

 
 
Autoproclamado popstar da música clássica, André Rieu é o protagonista de um dos maiores
fenômenos da indústria fonográfica da atualidade. Para isso, ele aposta numa fórmula que vem aprimorando desde o início da década de 1990. Tudo começa com um espetáculo de forte apelo visual, no qual os principais estereótipos (reais ou imaginados) que orbitam no universo da música clássica são acentuados a ponto da total descaracterização. Cenários que remetem ao mundo mágico dos desenhos animados, músicos vestindo fraques de cortes extravagantes e musicistas paramentadas como bonecas de porcelana são elementos primordiais de um cenário dantesco.

Em segundo lugar, vem a música. Clássica ou popular, ela é invariavelmente travestida em arranjos paquidérmicos que atuam como um rolo compressor que esmaga aquilo que diferentes linguagens e estilos têm de melhor. Tudo isso é amalgamado pela própria figura de André Rieu, o anfitrião, com uma lábia simplória e um sorriso charlatanesco que arranca suspiros de sua audiência.

Rieu é apenas mais uma das crias daquilo que se costuma chamar de indústria cultural. Pensado como um grande negócio, seus espetáculos não apenas usurpam o patrimônio musical da humanidade. Pior, eles são artisticamente violentados com o propósito de ser mais “palatáveis”. E, pior ainda, dessa forma difunde-se uma ideia falsificada do que são a ópera e a música de concerto.
Há quem alegue que Rieu realiza importante contribuição ao popularizar a música clássica e que seria uma porta de entrada para este mundo. Não é verdade. Primeiro, porque o máximo que ele faz é se autopopularizar por meio da difusão do culto a sua figura (incluindo aí os mais diferentes tipos de souvenires). Sua estratégia visa a estabelecer um circuito de consumo fechado, no qual a compra de um DVD André Rieu conduz a compra de outro DVD André Rieu, e agora, para nós, a um dos caros ingressos de seus show. Nada vindo de fora é tolerado.
Em segundo lugar, é um argumento ingênuo (na melhor das hipóteses) achar que esses produtos atuam como introdução ao universo da arte. Fãs de Harry Poter não serão leitores de Shakespeare. Com o fim da série comercial de livros, ele migraram para outra, por exemplo, os volumes da “saga” Crepúsculo, e assim sucessivamente. Na prática, os atuais fãs de Rieu são as viúvas de Ray Coniff – seu famoso “arranjo” do Bolero de Ravel jamais conduziu seus fãs para a escuta da obra original.
Não se exclui a possibilidade de uma ou outra pessoa eventualmente cultivar um ambiente verdadeiramente artístico a partir do contato com esses enlatados culturais. Mas, comparado ao rastro de mau gosto e desinformação que eles deixam, é um preço alto demais a ser pago. Literalmente, pois é possível fazer coisas muito mais interessantes com a colossal quantidade de dinheiro que essas celebridades movimentam.
A propósito das desventuras literárias do famoso bruxinho, evoco aqui o termo que o crítico literário Harold Bloom usou para definir o sucesso do personagem: “desesperante”. Bloom argumenta que uma criança ou um adolescente tem plenas condições de começar sua vida de leitor com obras do mais alto valor artístico. Com a música não tem porque ser diferente. Que mal há em ouvir um Mozart, um Vivaldi ou mesmo um Johann Strauss sem a maquiagem grosseira promovida por Rieu? E olhe que não faltam no mercado produtos artisticamente honestos que propõem abordagens diferenciadas e acessíveis no amplo sentido do termo.

Apesar de desesperante, o próprio Bloom nos lembra que, ao longo da história da literatura, não faltam exemplos de grandes sucessos comerciais que logo passaram para o esquecimento. É a esperança que resta.
 
                                                       (Leonardo Martineli)
                                                         Revista Concerto