sábado, 26 de janeiro de 2013

Clarice Lispector...



"... Sou como você me vê.
Posso ser leve como uma brisa,
ou forte como uma ventania.
Depende de quando e como você me vê passar!..."



                                                                      

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Um Verão Bem Saudável...

                           



     Os Maias estavam errados. O calendário da extinta civilização
estava equivocado e o mundo não acabou em dezembro de 2012.
Brindemos então! Para nós, habitantes do hemisfério sul, a continuidade da vida pode ser comemorada com a chegada do verão. Que tal essa sequência de “ss”: Sol, sombra, suco, salgados, siri na casca e semana sem segunda, somente sexta a sábado? Sono na medida certa. Suor pra manter a forma. Simpatia em novas conquistas e sensibilidade nos relacionamentos. O suficiente para saborear a calorosa estação sufocante.
    É claro que saúde é indispensável! Servir sempre saladas, sorrisos, gargalhadas e sal só em pitadas. Mar, piscina, balneário, rio e lagoa. Banheira, banho de chuva e de mangueira. Água em quantidade para beber, molhar e hidratar. Aproveite o período de férias escolares e quem sabe até de férias do trabalho para rever amigos, praticar atividades físicas e degustar as delícias da estação. Sim, e são muitas. Frutas deliciosas, sucos saborosos e comidas leves caem muito bem.
     E quanto aos Maias. Bem! Eles nada entendiam de corpos bronzeados, biquínis, guarda-sol e férias. Não é?

                                        (Flávio Gonçalves)

Yolanda...


quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Suicídio e recato...

                                                              

Suicídio não casa bem com dias de verão, mas hoje acordei sem saber como preencher a tela em branco e, não possuindo o talento de Rubem Braga, de quem se dizia “quando ele tem assunto, é ótimo, e quando está sem assunto, é fenomenal”, me rendi a esse tema delicado, difícil, mas que também faz parte da vida.

Dois acontecimentos me trazem até aqui. O primeiro foi ter assistido ao impactante Amor, filme do qual já se celebrou tudo: a excepcional atuação do casal protagonista, o realismo da história e a transcendência de um sentimento que não se revela apenas nas trocas de carinho, mas na compreensão profunda um do outro.

Anne, interpretada pela magnífica Emmanuelle Riva (fará 76 anos no dia da entrega do Oscar, que lhe deem esse merecido presente), sofre um derrame e fica com um lado do corpo paralisado, e a doença se agrava com o passar dos dias, degradando-a, retirando dela não apenas os movimentos, mas também boa parte da consciência. Só lhe resta esperar pela morte, enquanto vê seu marido dedicar dias e noites a atendê-la em todas as suas necessidades, absolutamente todas.

Quem não desejaria, nessa situação, antecipar o desfecho? Sem nem mesmo conseguir expressar-se pela fala, ela decide fechar a boca e recusar o alimento que lhe dão, numa atitude patética, mas ao mesmo tempo política: é seu ato solitário de protesto. Que, claro, não funciona, por falta de resistência. A morte exige uma bravura mais radical.

Tão radical quanto a de que foi capaz o grande Walmor Chagas, um homem de forte personalidade que conduziu sua vida sem fazer concessões, e que saiu dela atendendo sua própria vontade, como lhe era peculiar. Aos 82 anos, enxergando muito mal, já precisando de ajuda para realizar tarefas corriqueiras, fez sua opção. Com toda a consideração ao sentimento dos familiares e amigos, reconheçamos: em casos bem específicos, como o dele, há uma certa dignidade no suicídio.

Não estou encorajando ninguém ao ato. É uma tragédia. Principalmente quando realizado por jovens, que geralmente o fazem por uma dor momentânea que os leva ao impulso, sem conjecturar sobre a longa existência pela frente. Quando falo em “casos bem específicos”, me refiro à tentativa da personagem Anne, ao Walmor Chagas e até ao próprio Rubem Braga, que, aos 77 anos, sabedor de que tinha um tumor na laringe, preferiu não operar nem tratar quimicamente.

Dias antes da sua morte, recebeu os amigos mais chegados em casa, e logo depois morreu sedado num quarto de hospital – sozinho, como pediu. Não foi uma morte provocada, mas teve a participação do principal envolvido, que se deu o direito de escolha.

Nenhuma morte é bonita. E é nosso dever tentar impedir ações deliberadas de partir, se estiver ao nosso alcance. Não estando, só nos resta respeitar aqueles que o fizeram não por tristeza, não por covardia, não por desequilíbrio emocional, mas, estando com uma idade avançada, sentindo o corpo e a mente deteriorarem-se e perdendo a capacidade de tomarem conta de si mesmos, o fizeram por pudor.

                                                     (Martha Medeiros)

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

O tempo de uma fotografia...

                                                                                 

Não era nem ontem, e nós éramos um rostinho inocente posando para um retrato escolar. Olhinhos apertados, espertos, ávidos por ver a vida crescer. Crescemos nós. Já no mundo adulto, aquela foto da escola perdeu-se em alguma caixa parda que guarda fotografias do tempo em que elas eram reveladas. Eram aguardadas no suspense de seu conteúdo. Havia prazer em esperar. Fala-se disso:

_ As fotos ficaram boas? _ Vem aqui em casa pra ver!. Diálogos dos século passado.O mundo adulto, hoje, é cheio de pressa. Nem bem viveu-se algo, e esse algo já foi postado em alguma rede. Desfruta de uns segundos de visibilidade, para depois perder-se, em memórias cibernéticas. Será que as crianças de hoje ainda tiram fotos do tipo grupinho escolar? Todas as carinhas reunidas, professora do lado, e um fotógrafo gorducho mandando fazer xis.Não há muito tempo para esperas e aguardos. Hoje, é tudo para hoje. Será que no meio de tanta aceleração, dá tempo de se perguntar onde estarão aqueles meninos e meninas do nosso retrato escolar? Caminhos que nos engolem enquanto tentamos acrescentar alguns minutos à mais nas nossas horas corridas, e lá se foram os nossos primeiros melhores amigos.

A que se presta esta nostalgia? Serventia prática, nenhuma! Pensamentos miúdos não se prestam. Eles prezam. Prezam alguma coisa de valor que vai se perdendo pra não se perder tempo, e que podia ‘não’.

Podia-se não perder contato com as pessoas queridas.Podia-se responder os e-mails com muito mais palavras.Podia-se telefonar ao invés de encurtar tudo por sms.Podia-se ganhar da preguiça e chamar amigos pra um jantarzinho.Podia-se ultrapassar o tédio e organizar uma viagem.Podia-se fazer mais visitas, pra se ver ao vivo e à cores.Podia-se escrever uma carta, pra lembrar da própria caligrafia.Podia-se largar mão de artificialidades e conversar com mais vontade.Podia-se deixar pra lá a vaidade, e expor os sentimentos com mais verdade.Podia-se deixar o orgulho de lado e procurar reacender os afetos congelados.Podia-se dar um tempo aos formalismos das relações, e sair por aí, abraçando os outros,beijando os outros, olhando nos olhos dos outros…

Podia-se redescobrir aquele amigo, daquele tempo, e surpreender…

Em meio à tantas metas e prazos, a gente sabe que é na companhia do outro, na intenção e na atenção dedicados à amizade e ao encontro que a vida faz sentido. Sem perder tempo com as miudezas que importam, perdemo-nos todos. Perdidos e acelerados, periga que um dia, a gente não se ache mais.

‘Ultimamente têm passado muitos anos.’
Rubem Braga

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Permita-se






Cada dia é um novo dia
Jamais um dia será igual a outro
Por isto não perca a chance
De se dar uma nova oportunidade

A cada dia permita-se ser melhor
Pois este dia
E estas oportunidades
Não se repetem

Conserte o mundo a partir de você
Nunca a partir dos outros
O mundo só será melhor se você melhorar

Os dias serão mais belos
Se você se permitir novas chances
Se você perceber
Que a sua felicidade está em suas próprias mãos.

(Mário Feijó)

domingo, 20 de janeiro de 2013

Rachel de Queiróz

                                                                                       

           

Eis que temos aqui a Poesia,
a grande Poesia.
Que não oferece signos
nem linguagem específica, não respeita
sequer os limites do idioma.
Ela flui, como um rio.
Como o sangue nas artérias,
tão espontânea que nem se sabe como foi escrita.
E ao mesmo tempo tão elaborada -
feito uma flor na sua perfeição minuciosa,
um cristal que se arranca da terra
já dentro da geometria impecável
da sua lapidação.
(...)
Rachel de Queiroz